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Peste Negra: sobreviventes da doença conseguiram viver por mais de 70 anos

Pesquisa revelou que a praga matava preferencialmente os mais velhos e pessoas que já tinham problemas de saúde

Gabriel Fagundes Publicado em 27/03/2020, às 10h31

Arte que retrata os cadáveres produzidos pela Peste Negra
Arte que retrata os cadáveres produzidos pela Peste Negra - Getty Images

A Peste Negra foi uma praga que devastou a Europa pela primeira vez em 1300, vitimando entre 75 a 200 milhões de pessoas. Número que representou a morte de um terço da população da época.

Isso em virtude da doença ter sido rapidamente propagada devido ao contato humano com pulgas infectadas pela bactéria Yersinia pestis que estavam presentes em ratos. Entretanto, depois da enfermidade, os que sobrevieram conseguiram viver por mais tempo, revelou uma pesquisa publicada em 2014.

De acordo com a análise feita em ossos nos cemitérios de Londres, antes e depois da praga, foi possível provar que as pessoas que foram alvos da doença tiveram um risco menor de morrer — em qualquer idade — em comparação com os que não tinham sido infectados.

A mão de um homem que contrariu a doença / Divulgação


Isso porque nos séculos anteriores à Peste Negra, cerca de 10% das pessoas viveram após os 70 anos, conforme explica a pesquisadora Sharon DeWitte, antropóloga biológica da Universidade da Carolina do Sul. Mas, diferentemente disso, nos séculos seguintes, mais de 20% das pessoas superaram essa idade.

A Doença

Na época, as pessoas que foram afetadas pela pandemia tiveram seus gânglios linfáticos extremamente inchados, febres, erupções cutâneas e vômito de sangue. Porém, o sintoma que deu o nome à doença foram às manchas pretas que apareceram na pele onde a carne havia apodrecido. No entanto, conforme foi revelado pelo mesmo estudo, apenas os idosos foram os mais abalados.

Tese essa que contrariou a comunidade científica que acreditava que a Peste Negra matava indiscriminadamente. Contudo, devido à pesquisa feita por DeWitte foi constatado que a praga era como muitas doenças: matava preferencialmente os mais velhos e os que já tinham problemas de saúde.

Assim, essa descoberta levantou a questão, a saber, se a praga agia como uma "força de seleção, visando pessoas frágeis", disse a pesquisadora à Live Science. Porque se a suscetibilidade das pessoas à praga era de alguma forma genética - talvez elas tivessem sistemas imunológicos mais fracos ou outros problemas de saúde com base genética -, e aqueles que sobrevivessem poderiam passar genes mais fortes para seus filhos, resultando em uma população pós-praga mais resistente.

Uma colônia da bactéria Yersinia pestis / Divulgação


Tendo isso colocado, o estudo publicado na revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências diagnosticou que a bactéria se inseria nos genomas humanos, o que fez com que os descendentes das populações afetadas pela praga compartilhassem certas mudanças em alguns genes imunes.

Para consumar essa evidência muitos cadáveres tiveram que ser analisados por Sharon, que estudou 464 esqueletos de três cemitérios distintos dos séculos 11 e 12, período antes da praga. Além de outros 133 esqueletos que também foram examinados de um cemitério usado após a Peste Negra, ou seja, dos século 14 ao 16. Isso foi feito para compreender o impacto da doença nas pessoas de diferentes classes e idades socioeconômicas daquela época.

Em decorrência, foi depreendido o conhecimento da evolução da sociedade depois da contaminação da Peste. Já que com quase metade da população morta, os sobreviventes na era pós-praga tiveram mais recursos disponíveis para a sobrevivência. A documentação histórica levantada pela antropóloga registrou uma melhoria na dieta, especialmente entre a população mais pobre. "Eles estavam comendo mais carne, peixe e pão de melhor qualidade, e em maiores quantidades", disse ela.

Por fim, a Peste Negra era uma doença emergente no século 14, hoje não muito diferente do HIV ou Ebola, colocou DeWitte. Por isso, saber como as sociedades anteriores reagiram a ela trás mais conhecimento sobre a forma como as doenças e a humanidade interagem. "Doenças como a peste negra têm a capacidade de moldar poderosamente a demografia e a biologia humana”, conclui.


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