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A polêmica por trás da última foto de Tancredo Neves vivo

A última imagem do presidente foi uma resposta a quem achava que ele estava morrendo

Redação Publicado em 13/09/2020, às 10h00

A última imagem de Tancredo Neves
A última imagem de Tancredo Neves - Divulgação

Na foto, Tancredo é quem menos ri. Cercado pelos médicos, ao lado da mulher Risoleta, ele olha para a câmera e se esforça para aparentar, pelo menos, um ar tranquilo.

Na manhã de 25 de março, vestindo robe de chambre sobre o pijama e uma echarpe em volta do pescoço, ele foi levado numa cadeira de rodas até uma sala previamente preparada. Juntaram-se três sofás em forma de “U” e, ao lado, colocou-se um arranjo floral, no qual dona Risoleta deu seu toque pessoal, arrumando as flores mais vistosas para frente.

Tancredo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Foi o porta-voz Antônio Britto quem dirigiu a cena, imaginando o efeito positivo que uma imagem de Tancredo fora da cama teria para o país. “Chegou um momento em que era preciso mostrar que o homem estava vivo”, afirma Britto no livro, Assim Morreu Tancredo. Segundo ele, o circo todo levou 15 minutos.

No entanto, Gervásio Batista, que clicou a cena, calcula que levou quase uma hora para fazer o trabalho. O tempo que Tancredo, um paciente de 75 anos ficou sentado, sorrindo para os flashes após ser submetido a duas cirurgias, é só uma das controvérsias que, ainda hoje cercam aquela foto.

Ao chegar à sala, Tancredo tinha duas sondas injetadas no corpo, uma de soro e outra de alimentação parenteral. “O presidente eleito se acomodou no sofá do centro, a enfermeira colocou os dois frascos no chão, atrás do sofá, e saiu de cena”, diz Brito.

Na época, a Veja publicou uma versão diferente. Segundo a revista, a enfermeira que conduzira Tancredo do leito até a sala, teria ficado escondida, agachada por trás do sofá, segurando os frascos de soro. “A descrição da cena nos foi confirmada por dois dos médicos que aparecem na foto, além da própria dona Risoleta, que admitiu que todo o cenário fora forjado”, disse o jornalista Augusto Nunes, ex-redator-chefe da Veja em entrevista à AH em 2005.

“Isso é bobagem, não havia espaço para ninguém ali atrás, essa ideia de que a foto foi montada é completamente maluca ”, afirma o fotógrafo Gervásio Batista. O fato é que, por volta das quatro horas da tarde, no mesmo instante em que Britto distribuía cópias das fotos para a imprensa, Tancredo sofreu uma violenta hemorragia, perdendo litros de sangue pelo reto.

À aparente melhora da manhã, que havia motivado a ideia da fotografia, seguiu-se uma das piores crises daqueles primeiros 10 dias de internação. Às 20h30, houve novo sangramento. À meia-noite, a hemorragia ainda não havia cedido. Resultado: na manhã seguinte, quando a foto apareceu estampada em todos os jornais do país, Tancredo estava, na verdade, sendo transferido, em estado gravíssimo, para São Paulo.

Era inevitável que a população se sentisse vítima de uma escabrosa mentira. “Foi uma coincidência brutal”, afirma Antônio Britto.


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