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Por que 536 foi declarado o pior ano da História?

Marcado por catástrofes, esse período foi, no mínimo, insólito

André Nogueira Publicado em 24/06/2020, às 10h35

Vulcão (imagem ilustrativa)
Vulcão (imagem ilustrativa) - Wikimedia Commons

Imagine passar mais de um ano sem sol, com plantas morrendo, sua família adoecendo e sofrendo cada vez mais com o frio. E tudo isso sem sequer entender o que está acontecendo. Apenas que o céu ficou mais escuro e que o fenômeno não está acontecendo só na sua cidade. Esse era o cenário presente na Europa e na Ásia durante um ano inteiro.

Em 2018, o historiador medievalista Michael McCormick, da Universidade de Harvard, classificou um esse ano com o título de pior da história: o trágico período de 536 d.C. Superando a antiga marca de 1349 — ano da Peste Negra na Europa, considerado antes o pior de todos — essa data foi marcada por uma série de eventos catastróficos.

Naquele ano, um bizarro nevoeiro cobriu diversas partes da Ásia e da Europa, incluindo o Oriente Médio, que ficou um ano inteiro na escuridão. Numa das décadas do período, tempestades anormais reduziram em mais de 1.5 graus Celsius a temperatura global, o fazendo o momento mais frio dos últimos milênios.

“Na Europa, foi o começo de um dos piores períodos para estar vivo, se não o pior ano", apontou Michael no estudo. 

O resfriamento global causou efeitos devastadores. Com colheitas arruinadas em diversas partes do globo, a população encarou a fome e crises econômicas. E quem sobreviveu encontraria situações ainda piores. Um exemplo é a Praga de Justiniano, a primeira epidemia de peste bubônica, ocorrida entre 541 e 544 que se espalhou pelo mundo e resultou na morte de 25 a 50 milhões de pessoas.

O que estaria por trás?

Segundo recentes pesquisas sobre o misterioso nevoeiro, o evento pode ter sido resultado de gigantescas erupções vulcânicas ocorridas na Islândia naquele ano, e pode ter influenciado até na queda do Império Romano. Foi possível chegar a esta conclusão através de análises de camadas de geleiras, revisadas ou aprimoradas por uma série de universidades pelo mundo.

“Foi o começo de um dos piores períodos para se estar vivo — se não foi o pior", lembra McCormick à Science. “O Sol deu sua luz sem brilho, como a Lua, durante todo o ano”.