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Por que a Esfinge de Gizé não tem nariz?

Desde sempre, o famoso monumento intriga especialistas e gera inúmeras teorias a seu respeito

Isabela Barreiros Publicado em 15/11/2019, às 08h00

A Grande Esfinge de Gizé, do Egito
A Grande Esfinge de Gizé, do Egito - Getty Images

A Grande Esfinge de Gizé impressiona. Primeiro, por seu tamanho — com 72 metros de comprimento e 20 metros de altura, ela é a maior escultura de pedra do mundo. Depois, pelos mistérios que cercam sua origem.

A criatura, com cabeça de homem e corpo de leão, foi moldada em pedra calcária há 4.500 anos. Acredita-se que foi esculpida por ordem de Quéfren, faraó egípcio da Quarta Dinastia, para simbolizar seu poder e sabedoria. Também é defendido, porém, que apenas a inspiração para o rosto da esfinge tenha vindo do faraó. A hipótese mais difundida atualmente é que ela represente o deus Ruti, o guardião do mundo inferior.

Hoje, ela guarda a entrada do complexo das pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos, no planalto de Gizé, perto do Cairo, mas ainda intriga pesquisadores e curiosos sobre o Egito Antigo. O mistério acerca de seu destruído nariz é um dos maiores da humanidade, e existem diversas teorias que tentam revelar os motivos pelos quais isso aconteceu.

Por muito tempo, historiadores alegavam que teriam sido as tropas de Napoleão Bonaparte, líder político e militar francês, as responsáveis pelo estrago. Elas invadiram o Egito em 1798 e o comandante teria ordenado um tiro de canhão na direção do rosto do enorme monumento. Ainda assim, desenhos do explorador Frederic Louis Norden, que datam de 1755, já a mostravam sem essa parte de seu corpo — antes dessa invasão.

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Crédito: Getty Images

Outra teoria é a do historiador egípcio al-Magrizi, do século 15, que atribui o vandalismo a Muhammad Sa’im al-Dahr, um fanático religioso que, em 1378, ao ver camponeses deixando oferendas à esfinge na esperança de aumentar suas colheitas, teria destruído a parte mais frágil da obra. O especialista apostou na intolerância do muçulmano que não teria concordado com o politeísmo dessas pessoas.

Dizem ainda que os mamelucos, soldados de uma milícia turco-egípcia composta por escravos turcos, usaram a esfinge como alvo ao calibrar seus canhões. Essas histórias, no entanto, nunca foram comprovadas como explicação para a falta de nariz da escultura.

Segundo o egiptólogo do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP, Antônio Brancaglion, a versão mais aceita por historiadores é a de que, entre os séculos XVI e XVII, cristãos coptas (egípcios que abraçaram o cristianismo) ou ainda otomanos tenham cortado fora essa parte da esfinge, mas não por acaso.

“No Egito antigo, os ladrões tinham o nariz extirpado como forma de punição e fácil reconhecimento. Mais tarde, os egípcios e também alguns povos invasores passaram a mutilar estátuas assim como forma de, simbolicamente, tirar a honra de uma pessoa”, explica Brancaglion.

Usando barras de metal e cinzéis, os grupos conseguiram realizar a “cirurgia” no monumento de pedra calcária. A teoria passou a ser aceita devido às marcas que podem ser vistas na esfinge, que sugerir esse tipo de intervenção.


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