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Por que o corpo de Dona Amélia foi mumificado?

Ao abrir a cripta imperial em 2012, pesquisadores se surpreenderam com o estado do corpo da segunda esposa de Dom Pedro I

Alana Sousa Publicado em 13/09/2020, às 08h00

Múmia de Amélia em descanso
Múmia de Amélia em descanso - Divulgação/Beatriz Monteiro

Na Cripta Imperial, pesquisadores buscavam entender mais sobre a monarquia brasileira através dos restos mortais. O ambicioso processo aconteceu em 2012, com a liderança da arqueóloga Valdirene Ambiel, que usou o estudo como parte de sua dissertação de mestrado no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE/USP). Para a surpresa de todos, envolto em um vestido preto, o corpo de Dona Amélia estava mumificado.

Amélia era a segunda esposa de Dom Pedro I e faleceu aos 60 anos, em 26 de janeiro de 1873, em Portugal. Entretanto, foi levada anos depois, já no século 20 para uma sepultura no Monumento à Independência, em São Paulo. A descoberta da mumificação só foi revelada 140 anos depois de sua morte. O que intrigou os pesquisadores, afinal, o cadáver não demonstrava sinais de qualquer processo proposital de conservação dos restos mortais.

Amélia de Leuchtenberg, ou Dona Amélia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Uma múmia por acaso

Os especialistas descobriram que uma série de fatores realizados no momento do sepultamento da esposa imperial ajudou na preservação de seu corpo. Uma injeção de perfume inserida na jugular da duquesa anulou parte da decomposição de Amélia.

Assim como o fato do cadáver ter sido lacrado em três urnas funerárias, o que não permitiu que microrganismos entrassem para fazer o papel de putrefação. Isso tudo fez com que o corpo da segunda imperatriz do Brasil fosse preservado, contou Valdirene em entrevista à AH.

O processo foi diferente do que aconteceu com D. Pedro I, como explicou Ambiel: “No caso de D. Pedro I, encontramos muito sedimento com seus despojos, que deveria fazer parte de um colchão da urna funerária, que neste caso foi uma forma de homenagear o duque de Bragança. Nenhum tipo de sedimento ou substância foi identificado com os despojos de D. Amélia”.

Valdirene realizando reembalsamamento em D.Amélia / Crédito:  Valter Diogo Muniz

 

Ao se deparar com a múmia imperial, exames foram realizados para compreender ainda mais sobre como ela tinha chegado a tal estado; as conclusões se deram por tomografias e biópsias no Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas. Após as análises a imperatriz passou por outro processo de embalsamento — similar ao primeiro.

O cadáver que já tinha um estado de preservação surpreendente, com pele, cabelos, cílios, unhas, globos oculares e órgãos internos quase intactatos, foi sujeito a uma loção usada em Portugal no século 18. A múmia, então, foi realocada para uma sepultura envolta em vidro, para assim, facilitar o trabalho dos pesquisadores, que acompanham de perto o desenvolvimento de conservação de Amélia de Leuchtenberg.


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