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Por que o Império Bizantino caiu?

Após sobreviver a diversos ataques, Constantinopla foi dominada em 1453

Letícia Yazbek Publicado em 01/03/2019, às 09h00

Fim do Império Bizantino
Getty Images

Durante 11 séculos, o Império Romano do Oriente (que nunca chamou a si de
Bizantino) teve forças para resistir a uma série de conflitos que ameaçavam seu
território. Roma já havia sobrevivido a mais de 20 ataques – de hunos, búlgaros, russos,
germânicos e avaros. A cidade caíra uma vez: para os cristãos da Quarta Cruzada (1204),
num dos maiores vexames da história da cristandade, que ficaria sob domínio estrangeiro até 1261.

Ainda assim, resistia. Em 6 de abril de 1453, quando o sultão Mehmet II deu início
ao cerco de Constantinopla, a maioria das pessoas acreditava que a capital sobreviveria.

“A verdade, contudo, é que o império havia sobrevivido, porém bem mais pobre e sem o
apoio da Igreja Católica”, diz Jill Diana Harries, professora de história antiga da Universidade de St. Andrews, na Escócia.

Mesmo conseguindo se prolongar, a cada ataque o Império ficava mais debilitado. Os recursos foram restringidos, as defesas da cidade estavam enfraquecidas e os territórios haviam sido drasticamente reduzidos.

No século 15, quando a ameaça otomana se tornava cada vez mais próxima, o imperador
Constantino XI (1405-1453) tentou uma política de reaproximação com as nações
católicas do Ocidente. O que incomodava muito aos turcos.

Em 1451, o sultão Mehmet II chegou ao poder com a promessa de que não invadiria
o território cristão. Constantino XI se sentiu confiante o suficiente para exigir uma anuidade do sultão para sustentar um príncipe otomano prisioneiro em Constantinopla. O sultão considerou a cobrança um insulto. Veio a guerra.

Diante do inevitável embate, Constantino XI pediu ajuda à Europa católica e recebeu
promessas que, se fossem cumpridas a tempo, poderiam ter mudado o destino do Império Romano que sobrevivia. Não vieram.

O pavor tomava conta da população enquanto os otomanos marchavam em direção à cidade com um exército de quase 100 mil homens. Os bizantinos lutaram com suas melhores armas, mas Constantinopla não resistiu aos bombardeios diários e caiu após um cerco de mais de 50 dias, em 29 de maio de 1453. E seu último imperador, Constantino XI, morreu com seus esforços finais para salvar a cidade.