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Pouco tempo atrás, as pessoas usavam as mãos para pegar a comida do prato

Hoje essenciais em qualquer refeição, os talhares já incomodaram até mesmo a Igreja

Bárbara Soalheiro Publicado em 02/05/2021, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Imagem de congerdesign por Pixabay

Facas, garfos e colheres utilizam um mecanismo tão simples que parecem invenção de um passado remoto. E foram. Mas seu uso só se popularizou da maneira como utilizamos hoje (como um kit de instrumentos que levam alimentos à boca) durante o século 18.

Ou seja, até bem pouco tempo atrás, os participantes de qualquer refeição, desde os almoços triviais até grandes banquetes, usavam as mãos para pegar a comida do prato – ou, no caso dos mais educados, apenas três dedos.

Entre os talheres, o mais antigo é a faca, que surgiu ainda na pré-história como objeto cortante de pedra, feito para o homem caçar e se defender. Na Idade do Bronze, por volta de 3000 a.C., ela passou a ser feita com este metal, servindo não só para caçar e matar, mas também para manusear frutas e outros alimentos.

Conquistando a nobreza

Já a colher, ao contrário da faca, surgiu com o objetivo de ajudar nas refeições – líquidas, de preferência. E o garfo, só depois, no século 11, é que apareceu, conquistando a nobreza aos poucos.

A falta de talheres, aliás, influenciava diretamente no cardápio das mesas nobres. “Durante os séculos 18 e 19, apenas as pessoas comuns comiam espaguete. E com as mãos. Na realeza, a massa virou comida só depois da invenção do garfo, quando os nobres podiam comer sem perder a dignidade”, conta a americana Linda Stradley, especialista em culinária.

Talvez tenha sido por isso que os italianos se interessaram logo por talheres: no século 16, eles eram os únicos da Europa que comiam com garfos e facas individuais. Enquanto isso, na Inglaterra e na França, as mesas só tinham duas ou três facas.

Imagem meramente ilustrativa /Crédito: Anja, via Pixabay

 

E todos se serviam da mesma travessa, usando as mãos. As sopas, quando servidas, eram colocadas em uma mesma tigela, de onde bebiam duas, três ou mais pessoas.

Eram tão raros os talheres que, além de aparecerem em testamentos, chegaram a ser malvistos pela Igreja, especialmente os garfos. “Deus deu ao homem garfos naturais: seus dedos. Assim, é um insulto a Ele substituí-los pelos de metal”, diziam os padres no século 18, segundo James Cross Giblin em From Hand to Mouth (Da Mão à Boca, sem versão em português).

E os guardanapos?

Os guardanapos também estiveram de fora das refeições por muitos séculos. Até 1400, mais ou menos, homens e mulheres assoavam o nariz ou limpavam a boca nas próprias mãos. As mesmas que serviam da travessa coletiva.