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Premonições e defesa da ditadura: 13 fatos bizarros sobre escritores brasileiros

Conheça histórias insólitas de grandes autores de famosas obras nacionais

Fabio Previdelli Publicado em 09/05/2020, às 11h00

Machado de Assis
Machado de Assis - Wikimedia Commons

Berço de grandes escritores, a literatura brasileira é marcada por obras inesquecíveis e personagens singulares, que fazem com que nossa cultura seja rica. Entretanto, sob o pano de fundo desses grandes livros, também há muitas curiosidades que permeiam a vida dos grandes autores.

Com a ajuda do livro História Bizarra da Literatura Brasileira, de Marcel Verrumo, separamos 13 história bizarras — e engraçadas — que todo fã de literatura vai adorar saber. 

1. O pedido de Carta Pero Vaz de Caminha na carta de descobrimento do Brasil

Pero Vaz de Caminha, popularmente chamado de Pedro Vaz de Caminha, se destacou como escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral. O fidalgo português foi o grande responsável por escrever a carta de descobrimento do Brasil.

Carta de Caminha a Manuel I / Crédito: Wikimedia Commons

 

No entanto, além do documento que se tornou histórico, Pero aproveitou a oportunidade de escrever para o rei de Portugal e fez um pedido um tanto peculiar: ele suplicou ao monarca que libertasse do exílio seu genro, Jorge de Osório, que foi sentenciado por ter roubado uma Igreja Católica e agredido um padre.


2. Álvares de Azevedo previu o ano de sua morte

Manoel Antônio Álvares de Azevedo estudava direito na em São Paulo, no Largo de São Francisco. Apesar de jovem, ele logo ganhou fama por suas brilhantes e precoces produções literárias. Porém, seu futuro brilhante terminou com seu trágico e premonitório fim.

Gravura de Álvares de Azevedo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Tudo começou quando Álvares de Azevedo estava no terceiro ano da faculdade e viu um de seus amigos do quinto ano se suicidar. No ano seguinte, outro quintanista, que era seu amigo, também morreu de maneira trágica. As duas mortes fizeram com que ele pensasse haver uma maldição com os estudantes de quinto ano. Se tal maldição existia, ninguém sabe afirmar, o único fato que sabemos é que o autor faleceu no ano seguinte de sua profecia, quando justamente estava no quinto ano da faculdade.


3. Apenas no século 19 uma mulher publicou um livro no Brasil

Apesar de hoje em dia as mulheres terem grande relevância na literatura nacional, com nomes consagrados como Cecília Meirelles, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, entre outras, nem sempre foi assim. Isso porque a primeira mulher a publicar um livro no Brasil foi Nísia Floresta Brasileira Augusto.

A obra, que se chama Direito das Mulheres e Injustiça dos Homens, foi publicada somente no século 19 e, como o próprio título sugere, falava sobre o machismo na sociedade, o que fez com que Nísia fosse considerada a primeira feminista brasileira.


4. Machado de Assis foi vendedor de bala de côco

Nascido no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro, Joaquim Maria Machado de Assis veio de uma família muito pobre e desde cedo teve que lidar como a morte precoce de sua mãe. Para ajudar sua família, ele começou sua carreira vendendo balas de côco que eram feitas por sua madrasta.

Foto de Machado de Assis / Crédito: Wikimedia Commons

 

Machado de Assis só começou a se dedicar à literatura anos depois, quando começou a trabalhar como aprendiz de tipógrafo e revisor de imprensa. Com incentivo de Manuel Antônio de Almeida, o escritor começou a desenvolver um estilo próprio de escrita, que culminaria em grandes clássicos como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.


5. A origem do verbo brochar

Os primeiros livros eróticos brasileiros, chamados de Romances para Homens, eram impressos em formato brochura, que o miolo do livro é coberto por uma capa mole. Por esse motivo, ao que tudo indica, um sujeito olhou para a encadernação —e provavelmente para o próprio órgão —e associou as duas coisas. Daí surgiu a expressão “pênis brochado”, “homem brocha” e o verbo “brochar”.


6. Olavo Bilac sofreu o primeiro acidente de carro

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Foto de Olavo Bilac / Crédito: Wikimedia Commons

No século 19, o Rio de Janeiro passava por diversas mudanças urbanas, principalmente com a chegada dos carros ao Brasil. Um dos primeiros proprietários de automóveis foi o jornalista José do Patrocínio.

Patrocínio, que era muito amigo de Olavo Bilac, convidou o escritor para dar uma voltinha no seu novo possante. O problema de toda essa situação é que seria Bilac o responsável por conduzir o veículo.

Porém, Olavo não tinha a mesma habilidade de dirigir quanto tinha de escrever — talvez pelo fato de que não havia carros no Brasil —e, em uma curva de 'alta' velocidade, bateu em uma árvore a incríveis 4km/h.

Apesar do susto, os dois saíram bem, o mesmo não pode ser dito do carro, que teve perda total.


7. Oswald de Andrade se casou no cemitério

Apesar de ser casado com a pintora Tarsila do Amaral, Oswald se envolveu em outro relacionamento amoroso com a escritora Patrícia Galvão, a Pagu, que acabou engravidando. Como os dois queriam manter as aparências e disfarçar as evidencias, Pagu acabou se casando com outro homem.

Oswald de Andrade / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mas na lua de mel a jovem abandonou seu cônjuge e fugiu com o modernista. Os dois protagonizaram um dos casamentos mais bizarros de toda a história literária. No dia 5 de janeiro de 1930, os pombinhos trocaram alianças diante do túmulo da família Andrade para registrar a união perante os antepassados do noivo.


8. Graciliano Ramos multou o próprio pai

O autor de Vidas Secas viveu na cidade alagoana de Palmeira dos Índios. Lá, ele foi diretor de uma escola da cidade e ganhou muita popularidade na região. Por consequência, foi convidado para se candidatar à prefeitura da cidade.

Foto de Graciliano Ramos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Pode até parecer marmelada, mas não é que Graciliano foi eleito?! Empossado, ele criou um código de postura moral com 82 artigos, dentre eles estava a proibição de animais na rua. Lutando contra o clientelismo e o nepotismo, não poupou ninguém, muito menos seu pai, que foi multado por criar gado em um terreno baldio.


9. Guimarães Rosa salvou a vida de centenas de judeus

Durante a Segunda Guerra Mundial, Guimarães Rosa era embaixador do Brasil na Alemanha. Na mesma ocasião, Aracy Moebius trabalha como secretária no país. Foi lá que os dois se conheceram em 1930.

Aos depois o país seria liderado pelo revanchismo e puritanismo nazista e os dois foram incapazes de aceitar tudo isso sem fazerem algo para ajudar os judeus. Então, eles decidiram bolar um plano para levar os judeus que vivam na Europa para o Brasil — ato considerado ilegal pelo presidente Getúlio Vargas.

Foto de Graciliano Ramos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mesmo assim, eles não hesitaram. Enquanto o escritor falsificava os passaportes, sua amada conseguia os carimbos e assinaturas falsas para liberaram a entrada dos fugitivos. Aracy chegou a salvar quase cem pessoas, e como forma de gratidão, ela teve seu nome gravado no Museu do Holocausto, em Israel.


10. Gonçalves Dias foi a única vitima de naufrágio

O escritor estava muito doente quando decidiu sair do Brasil e buscar tratamento na Europa. Ao chegar na França, uma notícia equivocada chegou ao Brasil dando conta de que Gonçalves Dias teria sido encontrado morto na embarcação. Fãs do poeta romântico ficaram muito tristes e até mesmo foi declarado luto oficial no Brasil.

Mas a informação verdadeira chegou depois de alguns dias, ele não estava morto. Apesar de passar dois anos por lá, ele não achou uma cura para sua doença e decidiu retornar ao Brasil. Gonçalves dias decidiu ficar a maior parte do tempo isolado no navio, já que não se sentia muito bem.

Porém, ele chegou a ficar tão recluso que muitos esqueceram que ele estava na embarcação. Sua ausência não foi notada nem mesmo quando o navio colidiu em um banco de areia na costa do Maranhão. A população fugiu e todos saíram ilesos, menos o escritor que esquecido acabou morrendo afogado.


11. José de Alencar foi tenaz defensor da escravidão

Notável por ser o fundador do romance de temática nacional e por se tornar o patrono da cadeira fundada por Machado de Assis na Academia Brasileira de Letras. Mas os ideais de José de Alencar não agradariam nenhum pouco Machado, ele defendia que o sistema escravocrata ajudava no progresso humano e que um possível fim da escravidão resultaria em uma enorme crise econômica.

José de Alencar / Crédito: Getty Imagens

 

Documentos históricos relatam cartas do autor enviadas ao Imperador Dom Pedro II. Inclusive, algumas delas tinham um tom mais arrogante, já que Alencar acreditava saber mais sobre política do que o próprio rei.


12. Carlos Drummond de Andrade achava que a homossexualidade era um desvio

Considerado por muitos como o mais influente poeta brasileiro do Século 20, Carlos Drummond de Andrade tinha uma opinião um tanto quanto polêmica: ele declarou mais de uma vez que acreditava que a homossexualidade era um desvio de personalidade. Ele pensava que ser gay era coisa de garotos que se sentiam atraídos pela vida noturna e boêmia.


13. Rachel de Queiroz apoiou a Ditadura Militar

Rachel de Queiroz ficou nacionalmente conhecida aos dezenove anos ao publicar O Quinze, em 1927. Nessa mesma época a autora se aproximou do Partido Comunista Brasileiro (PCB) no começo da década de 1930.

Rachel de Queiroz / Crédito: Instituto Moreira Salles

 

Mas uma critica do partido ao seu livro de sucesso fez ela se desiludir com o partido e mudar totalmente de lado. No início da ditadura ela chegou a receber em sua casa alguns políticos e intelectuais que planejaram o golpe. Rachel até se voluntariou para pintar alguns folhetos e, posteriormente, se filiou à Aliança Renovadora Nacional (Arena).