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Press Start: 10 universos do video game para quem curte História

Os jogos conquistaram rapidamente seu espaço no coração de muitas pessoas. Aqui, listamos alguns que imergem em diferentes momentos históricos

Vinícius Buono Publicado em 11/08/2019, às 10h00

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- Crédito: Reprodução

Apesar de terem surgido há relativamente pouco tempo, os video games já são responsáveis pela maior indústria de entretenimento do mundo. O estigma de coisa de criança ainda persiste na cabeça de muitos, mas, segundo pesquisa da Forbes, em 2019 mais de 60% dos brasileiros jogam algum tipo de jogo eletrônico.

O mundo dos jogos eletrônicos é tão diverso quanto o dos filmes, atendendo a toda sorte de gostos e estilos. Logo, jogos que fazem alusão a diferentes contextos históricos entram nesse rol. Ajeite-se em sua cadeira, pegue seus livros de história e prepare seu joystick (ou teclado) porque, aqui, listamos dez para vocês. 

Assassin’s Creed

Assassin's Creed. Créditos: Reprodução

 

O famoso universo de ação da Ubisoft se baseia no confronto entre duas sociedades secretas extremamente antigas: os templários e os assassinos. Iniciada em 2007 com Assassin's Creed I. Na franquia o jogador assume o controle de Desmond Miles em 2012, um rapaz cuja ascendência é repleta de assassinos e, por isso, ele é capturado pela empresa Abstergo, controlada por templários que buscam encontrar as Maçãs do Éden, artefatos poderosíssimos que seriam capazes de controlar o livre-arbítrio humano.

Essa é uma questão central na briga perene entre as duas facções. Os templários buscam a paz na humanidade através do controle, enquanto os assassinos defendem a liberdade. A história envolve, também, o apocalipse maia que ocorreria naquele ano.

O jogo se desenrola através da máquina Animus, por onde a Abstergo é capaz de acessar as memórias genéticas dos ancestrais de Desmond, diversos assassinos renomados como Altair ibn-La’Ahad, na época das cruzadas, ou Ezio Auditore, na Itália renascentista.

A enorme franquia é um dos carros-chefe da desenvolvedora, a Ubisoft, e conta com diversos títulos, além de quadrinhos, livros, filme e outras mídias de universo expandido.

Battlefield I

Battlefield I. Crédito: Reprodução

 

Embora já tenha uma continuação, Battlefield V, o jogo da Electronic Arts baseado na Primeira Guerra Mundial, foi mais vendido que seu sucessor.

Depois de focar em conflitos fictícios e modernos (assim como seu principal concorrente, o Call of Duty, da Activision), os desenvolvedores resolveram apostar num retorno à antiguidade. Deu certo, e Battlefield I foi um estrondoso sucesso.

As armas, veículos e mapas da Primeira Guerra são bem feitos e imersivos. Combinados com um ousado modo de batalha online onde 64 jogadores, divididos em dois times de 32, disputam pontos de controle em cidades, desertos, pastagens… tudo isso sob fogo de artilharia, aviões, tanques e até a cavalaria ainda se faz presente.

Há, como é padrão da série, uma diversidade de classes: médico, assalto, suporte e atirador de elite. Cada uma com diferentes habilidades e, principalmente, armas.

Os desenvolvedores escolheram a Primeira Guerra, segundo eles, por ter sido o início da Guerra Total, e essa característica é muito bem emulada no jogo.

Age of Empires

Age of Empires II. Créditos: Reprodução

 

O gênero mais comum entre os jogos de história é o de estratégia, e Age of Empires, um clássico, inaugura essa parte da lista.

O jogo de estratégia em tempo real contou com três edições, cada uma contendo expansões. A premissa é a mesma: você assume o controle de um Império escolhido e deve derrotar os outros jogadores — inteligência artificial ou humanos — num mapa gerado pelo computador.

As condições de vitória variam um pouco de acordo com a edição do jogo, mas, em geral, envolvem a conquista militar, a construção e defesa, por um tempo determinado, de uma Maravilha (grandes obras específicas de cada civilização) ou o monopólio comercial. 

A série teve seu último lançamento em 2005. Recentemente, a Microsoft anunciou que o Age of Empires IV está em desenvolvimento, deixando os fãs em polvorosa.

O spin-off Age of Mythology é feito no mesmo estilo, porém é focado, como diz o próprio nome, na mitologia de civilizações antigas como Gregos, Egípcios e Nórdicos e também foi um sucesso comercial.

Sid Meier’s Civilization

Sid Meier's Civilization VI. Crédito: Reprodução

 

Provavelmente o mais famoso entre os jogos de estratégia relacionados a história, Sid Meier’s Civilization está na sua sexta edição. A primeira foi lançada por Sid Meier, como diz o nome, em 1991, há quase 30 anos, e até hoje os jogos da série são aclamados pela crítica.

Por turnos, o Civilization praticamente fundou um novo subgênero chamado 4X: Explore, Expand, Exploit and Exterminate — do inglês Explorar, Expandir, Tirar proveito e Exterminar. Isso, por si só, já dá uma ideia de como o jogo funciona.

Você também assume o controle de uma civilização, liderada por alguma importante figura histórica (por exemplo, Pedro II lidera o Brasil tanto no quinto quanto no sexto jogos da série). Tanto o líder quanto a civilização possuem habilidades únicas que modificam completamente a forma como o jogador lidará com a partida. Além disso, elas possuem, ainda, unidades e construções únicas, sempre baseadas na história real daquele povo.

O tempo encompassado vai da Idade da Pedra até o futuro próximo, e o jogador avança pelas eras através de avanços científicos e culturais. Assim como no Age of Empires, as condições de vitória variam de uma versão para outra. Dominação militar e vitória por ciência, onde você monta um foguete e dá o fora do planeta, são recorrentes, mas outros tipos de vitória como diplomacia, cultura e até religião podem ser mais específicos de algumas versões.

Rise of Nations

Rise of Nations. Crédito: Reprodução

 

Também da Microsoft, Rise of Nations é um game de estratégia em tempo real onde você assume o controle de uma civilização e busca ser o único vencedor da partida num mapa gerado pelo computador.

A principal diferença para o Age of Empires se dá no tempo coberto pelo jogo. Idealizado e desenvolvido por um dos criadores do Civilization, no Rise of Nations você vê sua civilização começar criando unidades militares com clavas, flechas e pedras; e terminar criando tanques de guerra, artilharia de foguetes e stealth bombers.

Os avanços militares, tecnológicos e políticos vão da era antiga até a atualidade (e até um pouco além), enquanto o Age of Empires tem um escopo mais limitado, com cada versão do jogo abrangindo um período histórico relativamente curto. Por esse motivo, também, o Rise of Nations, apesar de ser em tempo real, utiliza de alguns conceitos de estratégia por turno.

Assim como no Civilization, as diferenças entre cada civilização se dão através das unidades únicas, específicas de cada uma.

Para vencer, você deve conquistar seus oponentes militarmente, controlar um determinado percentual do território, construir maravilhas do mundo ou só ter uma pontuação mais alta quando o tempo acabar.

Total War

Empire: Total War. Crédito: Reprodução

 

A série Total War, iniciada em 2000 com o título Shogun: Total War, baseado no Japão Feudal, cobre diversos períodos históricos como, entre outros, as eras Medieval, Vitoriana e Napoleônica.

O jogo ficou famoso por misturar elementos de administração de recursos do seu império/civilização com o controle em tempo real durante a batalha, o que aumenta a influência da proficiência do jogador.

O foco do game são as campanhas, onde você assume controle de uma organização com valor de estado que de fato existiu e tenta reproduzir seu sucesso, seja ele uma grande conquista ou apenas a defesa de seu território. É possível, também, criar Grandes Campanhas, onde a história fica em segundo plano e há mais liberdade para o jogador fazer o que bem entender.

Total War é uma das séries mais aclamadas do gênero, mas nem todos os jogos principais são históricos. Dois deles se passam no denso universo fantasioso de Warhammer, criado nos anos 80 e, até hoje, muito utilizado em jogos de diversas mídias.

Crusader Kings II

Crusader Kings II. Crédito: Reprodução

 

Aqui, começam os jogos publicados pela Paradox Interactive, desenvolvedora sueca. Eles são do mesmo subgênero, chamado de Grande Estratégia pela alta capacidade imersiva. A empresa ficou famosa, principalmente, por jogos desse tipo.

Em Crusader Kings II, lançado em 2012, você assume o controle de algum nobre da Idade Média do Velho Mundo. De condes a imperadores, você escolhe um personagem real com domínios reais e, através de manobras políticas que envolvem não só a guerra como também casamentos ou assassinatos, deve manter a sua dinastia até o final do jogo em 1453, data da queda de Constantinopla, sempre assumindo o controle dos herdeiros quando seu personagem morre. 

É possível escolher entre algumas datas iniciais e elas sempre remetem a acontecimentos históricos, como a conquista da Inglaterra por Guilherme da Normandia.

Por relações políticas e interpessoais (marcadas com modificadores numéricos), você pode ter vassalos e suzeranos, aliados e inimigos, amantes e rivais. Esse subgênero é marcado por uma densidade enorme de elementos do jogo, onde esses tais modificadores variam da força de suas tropas até a probabilidade de ter um novo herdeiro.

Outro diferencial, também, é que não existe uma condição de vitória, só de derrota (no caso de Crusader Kings, se seu personagem morre sem nenhum herdeiro de sua dinastia, você perde). O objetivo fica completamente a cargo do jogador, e pode variar desde a conquista de todo o mundo (no jogo, só Europa e partes da Ásia/África estão presentes) até a defesa de seu pequeno condado.

Além do jogo conceder essa grande liberdade, existe uma infinidade de DLCs — Downloadable Content, ou Conteúdo Baixável, lançado e vendido pela própria desenvolvedora — que expandem ainda mais a jogabilidade. A alta customização pelos próprios jogadores — modificações, ou Mods — também deixa o jogo sempre fresco.

 

Europa Universalis IV

Europa Universalis IV. Crédito: Reprodução

 

Também da Paradox e também de grande estratégia, Europa Universalis IV assume logo onde Crusader Kings para, com a primeira data de início em 1444.

De 2013, esse jogo engloba a Idade Moderna. O foco, agora, não é mais em personagens, mas sim em Estados (ou qualquer organização que sirva como tal), mas não pense que o jogo é menos complexo ou menos denso. É possível escolher civilizações do mundo inteiro dessa vez, inclusive da América Pré-Colombiana, e esse deve ser um dos fatores levados em conta pelo jogador na hora de bolar suas estratégias.

Por exemplo, o Sacro-Império Romano Germânico, uma entidade abstrata e complexa, afetará a maioria dos países europeus, mas será completamente irrelevante se o jogador escolher a dinastia Ming.

Como em Crusader Kings, não existe jeito de ganhar uma partida de Europa Universalis. Seu país, ducado ou o que for só precisa sobreviver com ao menos uma província até 1821, quando o jogo termina. Existem inúmeras ações que são possíveis e que são pertinentes à época retratada, como a colonização e a formação de União de Coroas, onde um só governante controla dois territórios, a exemplo da famosa União Ibérica entre Portugal e Espanha.

Tanta liberdade pode ser demais para alguns, e a mecânica da formação de novos países pode, muitas vezes, servir como guia. Ao cumprir determinados pré-requisitos como a conquista de certos territórios, você pode formar uma entidade nova. Domine os antigos territórios do Império Romano e traga-o de volta à vida, ou consolide seu poder na Europa Central e forme a Alemanha, muito antes da data da unificação real do país. As escolhas, em grande estratégia, são sempre suas.

 

Victoria II

Victoria II. Créditos: Reprodução

 

Seguimos avançando na cronologia, e Victoria II é o próximo. Como o nome diz, se passa na era vitoriana, iniciando em 1836 e correndo por exatamente 100 anos. Apesar de não parecer um período tão longo quanto os outros dois acima, é o que mais sofre alterações devido ao próprio salto tecnológico da época. Seu país pode começar como uma monarquia absolutista cujo exército é de mosqueteiros e terminar como uma potência comunista que controla aviões e tanques.

A unidade básica novamente são os Estados e o foco não é tanto na parte da guerra, mas sim na construção de uma economia forte, baseada na industrialização e no neocolonialismo. A diplomacia também ganha uma importância ímpar, com os oito países mais poderosos em critério de prestígio, indústria e exército assumindo o status de Grande Potência, capazes de influenciar determinantemente o cenário mundial.

Lançado em 2010, é amplamente considerado o mais complexo dos jogos da Paradox. Ainda assim, os fãs da empresa podem ser vistos em diversos fóruns ou no Reddit pedindo uma longa e aguardada continuação.

 

Hearts of Iron IV

Hearts of Iron IV. Crédito: Reprodução

 

Para encerrar, o mais recente. De 2016, Hearts of Iron só oferece duas datas de início: 1936 e 1939, e vai até 1948, se passando no maior conflito que a humanidade já viu: a Segunda Guerra Mundial.

Em 1936, o jogador se depara com o cenário onde as tensões estão crescendo. Pode-se customizar o jogo a fim de que ele seja o mais fiel possível à história real, ou pode-se chutar o balde e fazer, por exemplo, a Alemanha se voltar contra Hitler e trazer o Kaiser de volta.

Apesar de o foco ser a Segunda Guerra e todas as mecânicas do jogo serem baseadas nisso, ele também oferece grande liberdade através dos Focos Nacionais, que são as diretrizes de cada país e variam bastante.

De qualquer maneira, o foco é construir uma infraestrutura adequada para o esforço de guerra. Armas, tanques, aviões, navios… tudo ficará a cargo do jogador, que deve escolher as linhas de produção que lhe apeteçam, avançar as pesquisas tecnológicas e sempre buscar a vantagem sobre seus vizinhos.

A mecânica de facções emula, também, as três principais alianças envolvidas no conflito: Eixo, Aliados e Comintern. Mas não pense que se limita a isso. Pode-se criar, por exemplo, a Pequena Entente, onde a França oferece proteção e garantias aos países do Leste Europeu.

Todos os jogos da Paradox estão praticamente interligados cronologicamente. Por isso, é possível, factível e almejado por muitos jogadores, através de modificações disponibilizadas pela própria empresa ou por fãs, iniciar em 789, a primeira data de Crusader Kings, e converter o arquivo salvo de um para outro até finalizar no Hearts of Iron em 1948, quase 1200 anos depois.