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Punições, escravidão e sexo: A vida no harém otomano

No palácio do Império Otomano, mulheres tinham grande influência na vida social de um harém, podendo decidir até sobre a vida e a morte de outras pessoas

Caio Tortamano e Laura de Carvalho Publicado em 14/05/2020, às 18h00

O famoso harém de Maomé III
O famoso harém de Maomé III - Luiz Iria

Esqueça os Jardins e Delícias com cítaras e dezenas de odaliscas oferecendo-se para o sultão. Um harém de Istambul do século 16, auge do Império Otomano, era um lugar de oração, disciplina e castigos — que incluíam até a morte.

Denominado a partir de uma expressão otomana que significa proibir, o harém era a parte doméstica dos palácios dos sultões. Durante o governo de Maomé III (1566-1603), o aposento do palácio de Topkapi, em Istambul, chegou a abrigar quase mil mulheres.

O objetivo de todas elas era gerar o herdeiro de um império, que se espalhava por três continentes. Criado no século 13, por Osmã I (1258-1326), o islamismo otomano alastrou-se pela Anatólia (atual Turquia) até derrubar, em 1453, Constantinopla, a capital cristã do Oriente. No século 16, o futuro de territórios que iam da Rússia ao Marrocos estava decidido nos aposentos e no enorme harém de Topkapi.

A dona do harém

A pessoa que administrava esses haréns era, por maior parte das vezes, a mãe do sultão em exercício, e recebia o título de valide sultana. Nenhuma das damas do harém poderia entrar ou sair do local sem a autorização da mesma, e muitas vezes a sultana tinha poder sobre a vida ou a morte dessas mulheres, dependendo de alguma infração que tivesse cometido.

A valide sultana era responsável por regular a relação de seus filho (sultão) com suas diversas esposas e filhos, trazendo um poder político notável para essas mães.

Essa influência causou algumas situações tensas ao longo da história. Em 1868, a Imperatriz Eugénie da França visitou o Império Otomano e, principalmente, conheceu os aposentos do harém do sultão Abdülaziz na presença do mesmo. Porém, ao encontrar com sua mãe, a valide sultana Pertevniyal, a mulher se enfureceu com a presença de uma estrangeira em seu harém.

Imperatriz francesa Eugénie / Crédito: Wikimedia Commons

 

A gota d’água, entretanto, foi quando viu que a imperatriz estava de braço dado com o sultão — algo perfeitamente comum na Europa entre as classes mais altas — e foi quando desferiu um tapa na francesa como um lembrete. Ali as regras eram outras.

A atitude, claro, criou um grande atrito político entre o Império Otomano e o Império Francês, mas deixou marcas culturais fortes no harém de Pertevniyal, as mulheres do harém ficaram encantadas com as vestimentas usadas por Eugénie, e a adoção de roupas do ocidente passou a se tornar regra nesses lugares.

As mulheres

Em Topkapi, mulheres eram escolhidas a dedo por sua beleza e inteligência entre capturas de guerra, cidadãs do império ou mesmo de países vizinhos, com a finalidade de se tornarem damas da corte. As mais jovens eram levadas até os haréns para serem disciplinadas, e dependendo de seu desempenho eram promovidas para kalfas ou ustas.

As que eram destinadas para serem parceiras sexuais do sultão viravam parte e membros da dinastia, e subiam na hierarquia local até alcançar o status de Gözde (favoritas), Ikbal (a afortunada) ou Kadın (a mulher / esposa). As que estavam mais perto desse escalão máximo eram as kadins — quatro no total — seguidas sucessivamente pelas ikbals e entãos as gözdes.

A posição mais alta que uma dessas mulheres poderia chegar era a de, justamente, valide sultana, sendo a mãe de um futuro sultão. Apesar disso, pouco tinham contato com o mundo lá fora, e na maioria das vezes eram trazidas contra sua vontade,  sendo basicamente escravas do sistema de haréns da sociedade otomana.

Eunucos

A crença da sociedade otomana de que um homem não conseguiria se controlar em meio a tantas mulheres em um ambiente como o de um harém produziu a tradição de adotar eunucos como membros do estafe real. Esses eunucos eram treinados no palácio e recebiam a responsabilidade de guardar o harém, até lá tiveram que subir de posição depois de servirem em muitas funções.

Estes serviçais estavam sob o comando do Chefe Eunuco Negro, ou Mestre das Garotas. Eles supervisionavam a parte dos palácios onde as mulheres viviam, tendo grande influência entre os funcionários e mulheres. Geralmente eram os segundos na linha de confiança do sultão, somente atrás do Grão-Vizir — chefe do governo.

Chefe Eunuco Negro da corte otomana / Crédito: Wikimedia Commons

 

Porém, estes muitas vezes governavam de seus próprios palácios e residências oficiais, torando os Chefes Eunucos Negros muito mais acessíveis. Além deles, tinham também os Chefes Eunucos Brancos, com uma quantidade mais modesta de subordinados — de 300 a 900 eunucos brancos, que cuidavam das partes mais burocráticas do palácio, como entrega de mensagens, petições e transporte de documentos de estado.

O Chefe Eunuco Branco cuidava da enfermaria, da entrada e saída de pessoas do palácio e das cerimônias ocorridas lá dentro. Originalmente, eram os únicos serviçais com permissão a se dirigir ao sultão em particular. Isso mudou em 1591, quando o sultão Murad III transferiu os poderes do Branco para o Negro.

Essa influência dos eunucos cresceu durante o Sultanato das Mulheres — período excepcional em que as mães e mulheres dos sultões exerceram o governo real do Império Otomano — já que eram confidentes das valide sultanas e grandes aliados dentro do palácio.


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