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Quase 2000 linchamentos: O estudo que revelou a crueldade do racismo nos Estados Unidos dos anos 1860

Divulgado em junho de 2020, o estudo trouxe informações inusitadas sobre o preconceito no país mesmo após a abolição

André Nogueira Publicado em 19/09/2021, às 08h00

Pintura de Norman Rockwell representando o assassinato de um ativista da igualdade racial
Pintura de Norman Rockwell representando o assassinato de um ativista da igualdade racial - Domínio público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Em junho de 2020, a Equal Justice Iniciative, organização norte-americana que fundou um memorial pelas vítimas de linchamentos racistas no país, lançou um documento inédito. Intitulado "Reconstrução na América", o texto reportava cerca de 2.000 linchamentos contra negros ocorridos entre 1865 e 1876 no país. Antes do estudo, a instituição já havia divulgado números que chegavam a 6.500 atos, cometidos entre 1865 e 1950.

Um detalhe que foi destacado pelos responsáveis pelo documento na época é que o período destacado pela análise tem ligação direta com momento de pós-abolição da escravidão nos EUA. O relatório esclarecia, então, que o racismo ainda era uma questão no país. Segundo o documento, 34 desses linchamentos nos anos 1860 foram em massa.

A documentação trouxe à tona, por exemplo, o relato da morte por espancamento de mais de 200 negros na Louisiana que ocorreram em dias seguidos, quando a participação de afroamericanos nas eleições criou ira entre os racistas.

Não podemos entender nosso momento atual sem reconhecer os danos duradouros causados ​​por permitir que a supremacia branca e a hierarquia racial prevaleçam durante a reconstrução", afirmou Bryan Stevenson, fundador da Iniciativa, em comunicado divulgado junto do relatório no ano passado.

"Mostra uma imagem assustadora e devastadora de um período de ataques mortais que rendeu milhares de vítimas documentadas e aterrorizou comunidades negras do sul com atos quase diários de linchamento e agressão", pontua o documento. Tal relatório é fruto de anos de trabalho em arquivos por parte de seções estaduais da organização.

Fotografia de bebedouro para pessoas de cor nos EUA / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ WikiImages

 

A segregação racial nos EUA

Promulgadas no final do século 19 e início dos 20, as leis de Jim Crow eram uma coleção de estatutos estaduais e locais que legalizavam a segregação racial no sul dos Estados Unidos. Com ela, os povos afro-americanos não poderiam votar, estudar ou até mesmo estar diante de oportunidades igualitárias.

Aqueles que tentavam desafiar as leis de Jim Crow eram frequentemente levados a prisão, multados, sentenciados, sofriam violência e até mesmo mortos. Um verdadeiro Apartheid que assolou o sul da América.

Por lá, as medidas afetavam quase todos os aspectos da vida cotidiana, exigindo a segregação de escolas, parques, bibliotecas, bebedouros, banheiros, ônibus, trens e restaurantes. Nesses locais, placas sinalizando espaços para “somente brancos” e “pessoas de cor” eram lembretes da ordem racial que havia sido instaurada.

Na teoria jurídica, os negros recebiam um tratamento chamado de "separate but equal" (ou "separado, mas igual", em tradução livre) nos termos da lei. Na realidade, por outro lado, os estabelecimentos públicos para negros eram quase sempre inferiores aos dos brancos — isso quando existiam.

Além do mais, aos negros foi negado sistematicamente o direito de voto na maior parte do sul rural através da aplicação seletiva de testes de alfabetização e outros critérios de motivações raciais. Era apenas mais uma forma de separar as pessoas pela cor.


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