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A anormal saga das mulheres envenenadoras da Era Vitoriana

Rompendo drasticamente com os estereótipos de "esposas amáveis" do período, elas foram responsáveis por terríveis casos de intoxicação por veneno

Isabela Barreiros Publicado em 07/12/2019, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de uma mulher envenenando um drink
Imagem meramente ilustrativa de uma mulher envenenando um drink - Wikimedia Commons

Durante a Era Vitoriana, as mulheres eram, quase sempre, tomadas como elegantes, atenciosas, afetuosas e sensíveis. Por mais que isso fosse comum, de um jeito ou de outro, existiam moças que fugiam a esse estereótipo — algumas até cometeram impiedosos assassinatos.

Adelaide Blanche de la Tremoille foi uma dessas mulheres. Em 1886, em Londres, na Inglaterra, ocorria o que ficou conhecido como “Mistério do Pimlico”, em referência ao distrito que moravam Adelaide e seu marido Edwin Bartlett na cidade britânica. O caso dizia respeito à acusação de envenenamento de Bartlett por sua própria esposa.

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Crédito: Wikimedia Commons

Mas o que levaria a mulher a cometer tal crime? Segundo sua versão, ela era incentivada pelo esposo a ter uma relação extraconjugal com seu tutor e conselheiro espiritual, o reverendo George Dyson. O triângulo amoroso terminaria com a vida do britânico, que era dono de uma rica mercearia da região.

Era 31 de dezembro de 1885, véspera de ano novo, quando Bartlett foi encontrado morto em sua cama. De acordo com a autópsia realizada no corpo, ele morreu devido à enorme presença de clorofórmio líquido em seu estômago. Pouco tempo antes, Adelaide teria pedido ao seu amante um pouco da substância, alegando que o médico de seu marido, Alfred Leach, tinha prescrito o medicamento.

Tanto a mulher quanto Dyson foram presos acusados de envenenamento. No entanto, as acusações não se firmaram por muito tempo, visto que havia um mistério envolvendo o fato de o produto estar no estômago do homem ser ter queimado sua garganta ou traqueia. Por consequência dessa incompreensão, os dois acabaram sendo absolvidos do crime.

Madeleine Smith

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Crédito: Wikimedia Commons

Outro caso envolvendo mulheres e envenenamento foi o de Madeleine Smith, uma socialite que vivia em Glasgow, na Escócia, durante o século 19. Aos seus poucos 21 anos, a moça estava envolvida em um caso com um funcionário, Emile L'Angelier. Mas seus pais lhe conseguiram um casamento com um amigo de seu pai, um homem rico.

Assim que ficou sabendo da possibilidade de matrimônio, Madeleine decidiu terminar com L'Angelier — mas ele não aceitou a ideia pacificamente. O empregado começou a ameaça-la com as cartas, alegando que as mostraria ao noivo.

Foi assim que a socialite decidiu livrar-se dele. Aparentemente normal, ela preparou uma xícara de chocolate quente ao seu amante. O diferente, no entanto, é que ela estava cheia de arsênico. Ela foi acusada pelo crime, mas foi absolvida por falta de provas que a incriminassem.

Mary Ann Cotton

Mary Ann Cotton foi uma britânica que foi enforcada pela acusação do assassinato de seu enteado, Charles Edward Cotton. Mas o fato é que, na verdade, ela pode ter sido culpada por mais 21 homicídios cometidos durante seus 41 anos de vida — seus três maridos, vários de seus filhos e até mesmo sua mãe.

O primeiro caso de envenenamento aconteceu com seu primeiro marido, William Mowbray, aos seus poucos 20 anos. Eles tiveram quatro filhos juntos, mas o casamento terminou com a morte de seu esposo, que faleceu de maneira repentina por um distúrbio intestinal. Dois de seus filhos morreriam das mesmas causas na época.

Depois disso, ela se casou novamente, dessa vez com George Ward, paciente no hospital em que ela trabalhava como enfermeira. O relacionamento durou pouco: ele morreu por uma doença caracterizada principalmente por problemas intestinais.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Então veio James Robinson, com quem Mary Ann se uniu em 1867. Nada inesperado, ele também viria a óbito por um diagnóstico idêntico aos ex-maridos da mulher, assim como seus dois filhos. Nesse caso, o mesmo aconteceu com mais três filhos do casal. Ela também visitou sua mãe uma semana antes do acontecimento chegar ao seu ápice, e ela morreu — adivinhe — de problemas intestinais. O veneno utilizado pela assassina foi o arsênico, responsável por dores gástricas e, por fim, morte.

Florence Elizabeth Maybrick

Florence Elizabeth Maybrick casou-se com um rico corretor James Maybrick em 1881. O relacionamento dos dois parecia feliz, no entanto, James tinha muitas amantes — e Florence não ficava para trás nesse quesito, tendo sido acusada até de ter tido um caso com Edwin, um dos irmãos de seu marido.

Ainda assim, um dos envolvimentos extraconjugais mais conhecidos da moça foi com o empresário Alfred Brierley. Quando James descobriu, pediu divórcio. Mas Florence não aceitaria o término com muita facilidade, envenenando seu marido com arsênico dias após o pedido de separação.

Crédito: Wikimedia Commons

 

Ela foi acusada pelo envenenamento de seu marido e foi sentenciada à morte. No entanto, ela foi libertada 15 anos depois de ser presa.


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