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Quem entregou a família de Anne Frank para os nazistas?

75 anos depois de ter sido capturada, historiadores ainda debatem como a garota e seus parentes foram enviados para a morte em Auschwitz-Birkenau

Caio Tortamano Publicado em 05/12/2019, às 17h56

Anne Frank
Anne Frank - Getty Images

Em 30 de outubro de 1944, no campo de Auschwitz-Birkenau, aproximadamente 1.000 mulheres foram selecionadas para trabalho forçado na indústria de guerra alemã. Entre elas, estavam Anne e Margot Frank, além de Auguste van Pels. Elas partiram ao anoitecer do dia 1º.

O trem em que eram transportadas chegou dois dias depois para Bergen-Belsen — um campo de concentração no norte da Alemanha, onde prisioneiros de guerra e judeus foram presos. O lugar também era usado como campo de trânsito para outros campos.

As mulheres foram alojadas em tendas que seriam destruídas alguns dias depois por causa de uma tempestade. Posteriormente, elas foram realocadas em quartéis, num espaço muito apertado. 

À medida que mais prisioneiras judias chegam, o campo ficava superlotado. A situação piorou. Anne, Margot e Auguste se encontram com várias holandesas e tentam se ajudar. Porém, elas já não têm tanto tempo assim. As irmãs contraíram febre tifoide e morreram em fevereiro de 1945.

Quase ninguém sabe exatamente o que elas sofreram nesse campo e nem como foram seus últimos dias. Um dos únicos registros restantes são as informações encontradas em um diário. 75 anos depois, historiadores ainda debatem se alguém teria dedurado a família de Anne.

A garota foi descoberta pelas tropas do Führer ao lado de outras sete pessoas no andar de cima do armazém, que outrora pertenceu ao seu pai. Durante investigações, mais de 30 pessoas foram consideradas suspeitas de terem denunciado Anne Frank e outros fugitivos. Entre eles está Wihelm van Maaren, funcionário que trabalhava no andar de baixo do esconderijo do grupo. No entanto, por ausência de provas, não chegou a ser acusado.

Além dele, Lena Bladeren, que ajudava a controlar pragas no depósito, é tida como uma suspeita por afirmarem que ela acreditava ouvir barulhos vindos do armazém. Porém, em futuros relatos, foi indicado que ela nunca teve certeza se havia de fato algo suspeito no local.

Em pesquisa realizada pela Casa de Anne Frank, em Amsterdã, foi constatado que a família possivelmente foi encontrada por acidente, durante uma inspeção para verificação de cupons de racionamento falsificados.

Em períodos de guerra, geralmente os recursos de um país começam a ser racionados para que não haja falta de suprimentos tanto para os militares como para os civis. Além de que a guerra fazia com que as pessoas estocassem mais alimentos para evitar saírem de casa.

Diante disso, eram criados os cupons de racionamento que davam direito a determinada quantidade de comida para cada cidadão.

Otto Frank, pai de Anne, mostrando para Rainha Juliana da Holanda o esconderijo onde ficaram 2 anos / Crédito: Getty Images

 

Alguns indícios realmente levam a acreditar que a família foi encontrada por acaso. Isso porque no momento em que foram descobertos, não havia nenhum veículo de transporte oficial que era usado para levar pessoas "irregulares" para os campos de concentração.

Outro indício pode ser encontrado na função de um dos oficiais que deflagrava judeus escondidos. Ele trabalhava na unidade de investigação de crimes econômicos, entenda-se por todos aqueles delitos cometidos envolvendo dinheiro, ou, no caso, cupons de racionamento.

Os oficiais responsáveis pela captura da garota e sua família provavelmente estavam em meio a uma investigação de cupons falsos. Na época, dois homens que vendiam os tickets para a família Frank foram presos, o que pode ter atraído a investigação para o anexo secreto em busca dos itens falsificados.

Uma equipe de mais de 20 pesquisadores forenses, criminologistas e pesquisadores de dados estão trabalhando no caso aos mesmos modelos de casos arquivados, com tecnologias desse século para verificar pistas.

A equipe criou um modelo em 3D do esconderijo e analisou quais pontos poderiam ter dissipado ruídos para prédios vizinhos e andares inferiores do depósito. Além disso, inteligênci artifcial está sendo utilizada para cruzar nomes e lugares para criar uma espécie de mapa, podendo levantar suspeitos e explicações de forma clara.

Possivelmente o veredito destes pesquisadores será lançado em um livro, que deve ser lançado em 2020.


Para ler mais sobre Anne Frank recomendamos as leituras a seguir:

O Diário de Anne Frank, Anne Frank (1995)

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Tudo sobre Anne, Casa de Anne Frank (2019)

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Os colegas de Anne Frank, Theo Coster (2012)

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