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Quem tirou a vida Lampião, o lendário Rei do Cangaço?

As dúvidas sobre a narrativa do óbito de uma das figuras mais controversas da História do Brasil chegaram a um provável fim com a confissão de um oficial

Isabela Barreiros Publicado em 17/05/2020, às 10h00

Lampião, o Rei do Cangaço
Lampião, o Rei do Cangaço - Domínio Público

Na versão oficial, consta que, em 28 de julho de 1938, em meio a Grota de Angico, em Sergipe, Lampião morreu de um tiro disparado por um dos guarda-costas de Francisco Ferreira, o oficial Antonio Honorato da Silva. Mas essa constatação não preenche algumas lacunas na história da morte de Virgulino Ferreira da Silva, e levanta ainda mais dúvidas sobre o que aconteceu no momento final do maior cangaceiro do sertão brasileiro.

Frederico Pernambucano de Mello, jornalista e historiador, não acreditava fielmente nesse ponto de vista. Considerado o maior especialista em cangaço no Brasil e biógrafo de Lampião, o pesquisador dedicou-se a colocar um fim nas dúvidas geradas pela incompleta narrativa da emboscada que matou o famoso nordestino.

“Nesse relato de Honorato, encontrei algumas inconsistências. Ele afirmava que Lampião tinha um pavor enorme no rosto quando atirou, que deu o primeiro tiro e acompanhou a queda. Coisas que não faziam muito sentido”, disse o especialista em entrevista ao portal Diário de Pernambuco. 

Crédito: Wikimedia Commons

 

Em seu livro, Apagando o Lampião – Vida e morte do Rei do Cangaço, Mello afirma que o assassino é outro. Também guarda-costas de Francisco Ferreira, — no entanto, não Antonio Honorato, como se acreditava anteriormente, conforme foi divulgado pela imprensa local na época. O responsável pelo homicídio de uma das figuras mais controversas da História foi Sebastião Vieira Sandes.

“Sandes foi coiteiro [pessoas que ajudavam os cangaceiros, dando-lhes abrigo, comida e informações] de Lampião na região de Alagoas e companheiro de costura dele. Lampião era um exímio costureiro de couro, de pano, bordava”, explica o historiador. Os dois chegaram até mesmo a ser amigos. 

A descoberta da verdadeira autoria do assassinato foi, na verdade, uma espécie de confissão. O soldado descobriu, em 2003, um aneurisma tão crítico que o deixava sem condições de operar. Foi assim que ele decidiu contar ao escritor a sua versão do evento que aconteceu em 1938. “Fiquei até emocionado. Fazia mais de 20 anos que estava atrás dele. Minha mulher achou, na ocasião, que era uma emboscada. Ele me deu um relato precioso, que gravei durante quatro dias. Morreu um mês depois”, relembra Mello. 

De acordo com o depoimento do oficial,  Lampião morreu com um tiro só de fuzil, disparado a oito metros dele, porque o atirador não estava atuando no combate, mas observando à distância.

Sebastião Vieira Sandes e Frederico Pernambucano de Mello / Crédito: Acervo Pessoal

 

“Lampião foi surpreendido, pois esperava ser atacado por terra e não pelo rio, como aconteceu. Sandes me disse que o silêncio era de uma catedral, porque era começo da manhã. Havia chovido e até os animais estavam recolhidos. A maneira como atirou, de cima para baixo, ao contrário do que afirmava Honorato, foi comprovada pela perícia feita recentemente pelo perito criminal federal Eduardo Makoto Sato, do Instituto Nacional de Criminalística. O punhal de Lampião, que foi atingido, nunca havia sido analisado”.

Sandes não quis declarar que havia assassinado Lampião na época porque tinha receio do que poderia acontecer com ele, visto que Virgulino era um dos homens mais poderosos no sertão na época. Aos seus poucos 22 anos, ele foi aconselhado a não assumir autoria. Depois de aparecer na capa da revista Fatos & Fotos, Antonio Honorato foi encontrado morto. Ele se gabava por ter “apagado” o famoso cangaceiro. 


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