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Questão de escolha: O motivo inusitado que convenceu Abraham Lincoln a deixar sua barba crescer

Em plena corrida eleitoral, enquanto criava campanhas para a sua candidatura, o republicano recebeu uma sugestão inesperada

Pamela Malva Publicado em 26/03/2021, às 08h00

Pintura do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln
Pintura do ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln - Wikimedia Commons

No final do ano 1860, Abraham Lincoln conquistou ambos o Norte e Oeste dos Estados Unidos e, com mais de 1,8 milhões de votos, tornou-se o 16º Presidente do país. Também vitorioso nos colégios eleitorais, ele foi o primeiro republicano a assumir a presidência.

No total, Lincoln teve pouco mais de 400 mil votos a mais que o segundo colocado, Stephen A. Douglas. Ainda que suas políticas tivessem conquistado os EUA, ele não recebeu um voto sequer em dez dos quinze estados escravocratas do Sul do país. 

Pensando que talvez Lincoln não ganhasse a maioria dos votos nas urnas, uma menina de 11 anos teve uma ideia para aumentar a popularidade do presidente. Assim, ela decidiu que enviaria uma carta ao político, a fim de alertá-lo sobre seu plano infalível.

Grande porte

Nascido em Kentucky em meados de 1809, Abraham Lincoln era herdeiro de uma tradicional família do campo norte-americana. Seu parto, inclusive, aconteceu em uma cabana de madeira, no meio da fazenda em que seus pais moravam.

Autodidata, o garoto era muito inteligente e fazia questão de ajudar em casa, fosse segurando uma enxada ou trazendo seu salário para que todos aproveitassem. Dessa forma, ele desenvolveu um porte atlético rapidamente, desde muito jovem.

Quando tinha cerca de 21 anos, ficou conhecido nas redondezas por ter vencido uma luta contra um dos homens mais respeitados da região. Alto, forte e bastante atlético, Lincoln ainda desenvolveu um carinho especial pelo universo dos machados.

Abraham Lincoln em 1865, dois meses antes de sua morte / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mudança de aparência

Anos depois de sair das terras da família, no entanto, em algum momento entre o seu casamento e os serviços prestados à milícia de Illinois, o físico de Lincoln mudou drasticamente. Tendo mantido apenas a altura, ele chamava atenção por sua magreza.

Durante sua carreira política, conforme era representado em quadros e fotografias, o republicano passou a ser reconhecido pelo rosto fino, com as bochechas bem delineadas pelas maçãs em evidência. Com isso, a silhueta esguia tornou-se sua marca.

Em meados de 1860, inclusive, o próprio republicano definiu como se via no espelho. "Tenho quase 1,80 metro de altura; magro em carne, pesando, em média, cento e oitenta libras; pele escura, com cabelos pretos ásperos e grisalhos olhos”, narrou.

O problema é que, para Grace Bedell, era a aparência do político que afastava um enorme número de eleitores. Na opinião da menina de 11 anos, Lincoln deveria fazer alguma coisa a respeito, para que pudesse ganhar as eleições.

Abraham Lincoln em uma de suas fotos mais famosas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma ideia genial

No dia 15 de outubro de 1860, então, a menina enviou uma carta ao republicano. No texto, ela prometia a solução para os supostos problemas de popularidade do candidato à presidência: a única coisa que ele precisava fazer era deixar sua barba crescer.

"Eu tenho 4 irmãos e parte deles vai votar em você de qualquer maneira”, iniciou a menina, explicando o motivo de torcer por Lincoln. “E se você deixar seus bigodes crescerem tentarei fazer com que o resto deles votem em você.”

“Você ficaria muito melhor porque seu rosto é tão magro”, escreveu Grace. Para a pequena, contudo, as pessoas que ficariam mais satisfeitas com a mudança seriam as mulheres. “Todas as senhoras gostam de bigodes e, assim, provocariam os maridos para que eles votassem em você e então você seria o presidente", teorizou a menina.

Abraham Lincoln sem barba, em maio de 1860 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Teoria e bom humor

No mês seguinte ao envio da carta, Lincoln foi eleito presidente, por mais que não tivesse deixado a barba crescer ainda. Mas, com a sugestão da menina em mente, o republicano decidiu dar uma chance aos pelos faciais.

Em uma resposta bem-humorada enviada para Grace, então, Lincoln questionou a validade da barba que poderia deixar crescer. "Quanto aos bigodes, por nunca ter usado nenhum, você não acha que as pessoas chamariam de um pedaço de afetação boba se eu começasse agora?", perguntou, de acordo com a Biblioteca do Congresso.

Muito além da correspondência, contudo, o 16º Presidente dos Estados Unidos também fez questão de se encontrar com a menina. Foi graças à criança de 11 anos, afinal, que a imagem de Abraham Lincoln tornou-se a que conhecemos hoje — a mais representada em pinturas e retratos da história, inclusive, segundo a Times.


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