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Rastros do desespero: o que existe dentro dos corpos petrificados de Pompeia?

Cobertas por fuligem e substâncias tóxicas, as vítimas do Monte Vesúvio foram eternizadas por misteriosas cascas de cinzas

Pamela Malva Publicado em 19/07/2020, às 08h00

Um dos esqueletos petrificados em Pompeia
Um dos esqueletos petrificados em Pompeia - Divulgação/Youtube

Um dia em Pompeia começava com o sol brilhando no céu, acompanhado por um clima ameno, propício para o cultivo de uvas. A produção de vinho ia de vento em popa e o mercado da lã não poderia ser mais lucrativo.

Às margens do Mediterrâneo, os portos da cidade estavam sempre cheios de marinheiros dispostos a barganhar. Nas ruas, o mercado era pulsante e oferecia desde equipamentos do dia-a-dia até serviços médicos e de beleza.

Na imponente vila italiana, 12 mil homens e mulheres livres e 8 mil escravos passavam seus dias consumindo todo tipo de entretenimento, desde leituras de poesia, até as famosas lutas de gladiadores. Os próprios moradores adoravam ficar em forma: em dois ginásios, todos praticavam lançamento de disco, salto a distância e luta livre.

Nem o melhor dos portes físicos, no entanto, preparou os habitantes romanos para o trauma que estava por vir. Em meados do ano 79 d.C., a cidade seria acometida pela erupção do Monte Vesúvio. Naquele último dia, era tudo questão de sobrevivência.

Pintura representa vendedora de frutas em Pompeia / Crédito: Wikimedia Commons

 

A morte nas esquinas

A lava invadiu os ricos mercados de Pompeia sem dó, queimando tudo que encontrava pela frente. Mais impiedosas que o fogo, entretanto, foram as cinzas do vulcão. Extremamente tóxica, uma enorme nuvem de fuligem tomou a cidade.

Segundo o paleobiólogo Pier Paolo Petrone, além da dificuldade para respirar, os moradores da cidade ainda sofreram de falência de órgãos instantânea. Isso porque  a temperatura dessas nuvens eram tão altas que matavam os tecidos rapidamente.

Como se o desespero não fosse o suficiente, os muitos habitantes que não conseguiram sair de Pompeia ainda tiveram que lidar com outro problema. Sem perceber, muitos foram asfixiados pelas substâncias expelidas pelo vulcão.

Pintura representa a faltal erupção do Monte Vesúvio em 79 a.C. / Crédito: Wikimedia Commons

 

História e tradição

A erupção dizimou Pompeia e ainda amedrontou centenas de pessoas que fugiram para Herculano. Para os futuros arqueólogos, sobraram apenas as cascas do que antes foi uma rica comunidade, formadas por uma impressionante camada de cinzas.

Por dentro dos esqueletos petrificados de Pompeia um mistério: o que sobrou das vítimas da erupção? O primeiro encontrado, em meados do século 18, intrigou os construtores do palácio do rei Bourbon. Em seguida, mais centenas foram encontrados pela equipe de escavações do italiano Giuseppe Fiorelli, em meados de 1860. 

Durante as pesquisas, os especialistas não dispunham de muitas ferramentas para analisar os esqueletos petrificados. Assim, naquela época, o medo era danificar os últimos resquícios de uma civilização destruída pelo desastre ambiental.

Um dos esqueletos encontrados em Pompeia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Solução sensata

Inicialmente, Giuseppe imaginou que as cascas dos moradores de Pompeia não se passavam de moldes ocos, formados por camadas e mais camadas de cinzas. Curioso, contudo, ele não poderia deixar a questão ficar sem respostas.

O arqueólogo e sua equipe, então, decidiram preencher os moldes petrificados com gesso. Todos os corpos foram analisados e, após exames de imagem, os cientistas descobriram algo impressionante: as cascas estavam preenchidas com o esqueleto completo das vítimas do vulcão.

A partir dos resultados, Giuseppe criou uma teoria para o intrigante achado. Nesse sentido, acredita-se que, enquanto os tecidos orgânicos dos corpos se deterioraram com o tempo, os ossos se mantiveram intactos, protegidos pela camada petrificada. Estavam salvos, portanto, os últimos restos dos moradores de Pompeia.


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