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Realmente existiram preguiças-gigantes no Brasil há 15 mil anos?

Com 6 metros de comprimento e pesando toneladas, o animal reinou no país durante anos, espalhando-se para outros territórios

Pamela Malva Publicado em 27/08/2020, às 07h00

Ilustração de como seriam as preguiças-gigantes
Ilustração de como seriam as preguiças-gigantes - Divulgação/Youtube

Em maio deste ano, a cientista Emily Breasey ficou impressionada ao encontrar os fósseis de 22 bichos-preguiça da Era do Gelo. Datados de 20 mil anos atrás, os curiosos restos mortais pertenciam à Eremotherium laurillardi, uma espécie de preguiça-gigante.

A descoberta trouxe à tona um dos animais mais intrigantes que já andaram pela América do Sul. E o mais impressionante é que a espécie encontrada por Emily, no Equador, era bem comum no Brasil e, daqui, espalhou-se para outros países.

Vivendo em rebanhos, o enorme animal era tão abundante em terras tropicais que, para muitos cientistas, representam a fauna do período Pleistoceno. Apesar do porte incomum, no entanto, as preguiças-gigantes foram extintas há cerca de 15 mil anos.

Pesquisadores analisando os fósseis encontrados no Equador / Crédito: Divulgação

 

De cima para baixo

Segundo estudos paleontológicos, o período de maior desenvolvimento das preguiças-gigantes ocorreu entre o Paleogeno e Neogeno. Nessas épocas, os majestosos animais andavam pela América do Sul com tranquilidade.

Fósseis das antigas preguiças mostram que, com um peso semelhante ao dos elefantes, elas tinham até seis metros de comprimento. Suas pernas e braços, resistentes e bem fortes, chegavam a um metro e meio de extensão.

Com medidas tão expressivas, a locomoção era bastante complicada para as preguiças. Apoiadas nas quatro pernas, elas tinham bastante dificuldade para andar, mas certa destreza para se levantar e se manter sobre apenas duas patas.

Esqueleto de um Eremotherium laurillardi no Museu de Ciências Naturais de Houston / Crédito: Wikimedia Commons

 

Caminhando pela terra

Logo que descobriram a posição bípede, as preguiças-gigantes começaram a se apoiar em árvores para se alimentar. Não é surpresa dizer, então, que elas alcançavam cerca de quatro ou cinco metros de altura quando estavam “de pé”.

Dentro de sua boca, uma língua comprida facilitava o trabalho de capturar alimentos e seus dentes em formato de prismas eram especializados em triturar folhas, ramos e brotos. A dieta, inclusive, era composta por 300 quilos diários de vegetais.

O primeiro registro das preguiças-gigantes, pelo menos na espécie Megatherium americanum, data do período Mioceno, há 17 milhões de anos. Desde então, o animal desenvolveu garras impressionantes, com 50 centímetros de comprimento. 

Fóssil de uma preguiça-gigante no Musel Nacinal da URFJ, no Rio de Janeiro / Crédito: Divulgação

 

De tronco em tronco

Por enquanto, acredita-se que a dieta das preguiças-gigantes era exclusivamente herbívora. Parente das preguiças modernas e dos tamanduás, elas tinham um corpo próprio para a alimentação baseada em vegetais.

Ainda assim, existem estudos que sugerem uma dieta carnívora complementar. Segundo tais teorias, é possível que as preguiças-gigantes se alimentavam de carcaças e não necessariamente caçavam para comer.

Uma certeza, contudo, é que, durante o pleistoceno, as Eremotherium laurillardi eram presas naturais dos tigre-dentes-de-sabre. Embora fossem gigantescas, muito maiores que o felino, elas sofriam com as presas e garras afiadas do animal.

Esqueleto de uma preguiça gigante no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fim misterioso

Encontradas em uma grande concentração onde hoje fica o território da Bahia, acredita-se que as preguiças-gigantes deixaram de existir entre 10 mil e 15 mil anos atrás. Não se sabe, no entanto, o que causou sua extinção.

Por um tempo, cientistas teorizaram que as mudanças climáticas foram o principal fator que levou ao fim das preguiças. Estudos modernos, todavia, sugerem que os humanos contribuíram para a extinção do enorme animal.

Em Buenos Aires, na Argentina, o pesquisador Gustavo Politis encontrou indícios de que as preguiças-gigantes faziam parte da dieta dos humanos durante a última Era do Gelo. Dessa forma, o estudo sugere que a prática da caça pode estar diretamente ligada ao fim desses animais, ainda que a teoria seja muito discutida no meio científico.


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