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Relembre a descoberta de Clotilda, o último navio negreiro dos EUA

No ano de 2019, arqueólogos encontraram o último navio que realizou transporte de escravizados nos EUA

Redação Publicado em 11/12/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Hansuan_Fabregas

Mais de um século após ter sido incendiada e afundada no mar, a escuna Clotilda, última embarcação que teria transportado africanos escravizados à costa dos Estados Unidos, foi encontrada por pesquisadores no ano de 2019.

O navio negreiro construído em 1860 foi localizado por arqueólogos marítimos em um afluente do rio Mobile, no estado do Alabama.

"Descendentes dos sobreviventes do Clotilda sonham com essa descoberta há gerações", afirmou Lisa Demetropoulos Jones, quem é diretora executiva da Comissão Histórica do Alabama (AHC) e Diretora de Preservação Histórica do Estado em entrevista ao National Geographic no ano de 2020. "Estamos empolgados em anunciar que o sonho deles se realizou", disse ela.

Uma grande descoberta

"A descoberta do Clotilda lança uma nova luz sobre um capítulo perdido da história dos Estados Unidos", declarou o arqueólogo Fredrik Hiebert. "Esse achado também é uma parte fundamental da história de Africatown, construída pelos resistentes descendentes do último navio negreiro dos Estados Unidos".

Conforme informações do National Geographic, relatos feitos por senhores de escravos e também por suas vítimas apresentam importantes informações sobre o comércio de negros escravizados no Atlântico.

Uma aposta

Tudo começou quando, em meados do século 19, um rico proprietário de terras chamado Timothy Meaher, decidiu apostar mil dólares com comerciantes que ele seria capaz de contrabandear uma carga de africanos até a Baía de Mobile.

Para isso, o norte-americano deveria passar pelos fiscais sem ser descoberto, uma vez que o tráfico havia sido proibido em 1808.

Meaher então fretou a escuna Clotilda e ordenou que seu construtor, o capitão William Foster, se responsabilizasse de levá-la até o porto de Ouidah, no Benin, para comprar negros escravizados.

E assim fez Foster. Ele deixou a costa africana com 110 homens, mulheres e crianças, comprados por 9 mil dólares em ouro. Conforme afirmam as fontes, uma menina infelizmente acabou morrendo durante a longa viagem de seis semanas.

Destruição do navio

Depois de levar os escravizados para uma segunda embarcação, que pertencia ao irmão de Meaher, Foster incendiou e afundou o Clotilde, para dar fim a qualquer prova do crime.

Com o fim da Guerra Civil e a abolição da escravatura, os africanos acabaram por comprar pequenos lotes de terra ao norte do Mobile. Lá, formaram uma comunidade que ficou conhecida como Africatown.

Identificando o Clotilda

Em 2018, uma equipe de arqueólogos iniciaria uma busca pelos restos da embarcação, a qual levaria um ano para ser concluída. Na época, os pesquisadores se depararam com diversos no fundo no Mobile.

No entanto, o Target 5 (Alvo 5), como foi identificado o navio, chamou atenção dos pesquisadores. Ele "era compatível com tudo o que foi registrado sobre o Clotilda", disse James Delgado, referindo-se ao modelo, dimensões e tipos de materiais utilizados em sua construção, além das evidências de que havia sido incendiado.

"Nenhuma placa de identificação ou outros artefatos inscritos identificaram a carcaça de forma conclusiva, mas analisando as diversas evidências, é possível chegar a uma conclusão lógica", afirmou o profissional. Tudo indicava, portanto, que aquele é o histórico Clotilda pelo qual os pesquisadores procuravam.


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