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Reurbanização, medo e caos: 6 fatos para entender o que foi a Revolta da Vacina

Tiros, gritos, bondes tombados e queimados, árvores derrubadas e prédios deteriorados. Em 1904, o Rio de Janeiro viveu uma intensa semana

Diego Antonelli Publicado em 17/02/2021, às 09h00

Ilustração sobre a Revolta da Vacina
Ilustração sobre a Revolta da Vacina - Wikimedia Commons

Entre 10 e 16 de novembro de 1904, o Rio de Janeiro se transformou em um verdadeiro caos. Mais de 2 mil pessoas chegaram a protestar nas ruas e foram contidas pelas forças do Exército após uma semana intensa de motim.

Era a chamada Revolta da Vacina, que terminou com um saldo total de 945 prisões, 461 deportados, 110 feridos e 30 pessoas mortas.

Pensando nisso, a revista Aventuras na História separou 6 curiosidades sobre o episódio. Confira abaixo!

1. Reurbanização

Naquela época, ainda em 1902, ao assumir a Presidência da República, Rodrigues Alves (1848-1919) instituiu como uma das metas governamentais uma política de reurbanização e ‘limpeza social’ da então capital federal.

Fotografia de Oswaldo Cruz / Crédito: Wikimedia Commons

 

Com isso, seu governo passou a derrubar cortiços da região central e a despejar seus moradores. Neste mesmo período, o médico sanitarista e então diretor de Saúde Pública, Oswaldo Cruz (1872-1917), afinado com a política do presidente e incumbido de combater doenças e epidemias, destacou a importância da vacinação obrigatória contra a varíola – enfermidade que atormentava a vida dos cariocas e do mundo todo.

2. Vacina obrigatória

Em poucos meses, ainda no início de 1904, mais de 3,5 mil pessoas morreram em decorrência da doença no Rio de Janeiro. Em junho, Cruz propôs que o governo enviasse um projeto de lei ao Congresso obrigando a vacinação em todas as pessoas para combater a epidemia da varíola (até então, segundo explica Tania Fernandes, a legislação previa a obrigatoriedade da vacina somente para crianças e servidores públicos).

3. Mobilização social

Em 31 de outubro daquele ano, o projeto foi aprovado e nove dias depois iniciou-se a revolta. “A divulgação da lei que regulamentava tal obrigatoriedade acirrou a mobilização social de uma capital já tensionada pelas propostas da reurbanização da cidade, provocando a Revolta da Vacina”, conta.

4. Revolta

Bonde derrubado pela população / Crédito: Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

 

O povo, que já estava sendo expulso de sua casa, não aceitava a situação de ainda ter que tomar uma injeção contra a própria vontade. Nesse contexto, ainda foi criada a Liga contra a Vacinação, idealizada por membros do Apostolado Positivista.

5. Grande pesquisador

Oswaldo Cruz, durante sua trajetória profissional, liderou outras ações sanitárias e campanhas de controle de doenças, como a peste bubônica e a febre amarela. Décadas depois, seu nome batizou a Fundação Oswaldo Cruz, que surgiu em 1900 como Instituto Soroterápico Federal.

6. Sem pânico

Em 1908, outro grave surto de varíola afligiu a população do Rio de Janeiro. Mas, em vez de se rebelarem, os moradores passaram a buscar voluntariamente a imunização.


++ Esta história é contada na obra Revolta da Vacina, do premiado quadrinista André Diniz. A trama em formato de quadrinhos, conta a história de Zelito, um jovem ilustrador que deixa o Ceará e parte em direção ao Rio de Janeiro, após prometer ao seu pai que em seis meses iria construir uma carreira de sucesso.

Leia a matéria completa aqui.


 

Veja também o vídeo do canal da TV Senado sobre o tema!