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A saga do túmulo perdido de John Merrick, o "Homem Elefante"

Com uma vida repleta de solidão e abusos, o inglês não teve descanso nem mesmo após a sua morte

Alana Sousa Publicado em 09/01/2021, às 07h00

A face de Joseph Merrick
A face de Joseph Merrick - Wikimedia Commons

Há muitas formas de descrever a vida de Joseph Merrick: cruel, solitária, difícil, injusta. O homem que ficou conhecido na Era Vitoriana como Homem Elefante, sofreu com a forma que era tratado por conta de sua aparência e, por fim, precisou aceitar a exploração dos famosos freak shows para conseguir sobreviver.

Mesmo que tenha nascido sem nenhuma aparente anomalia, o inglês começou a mostrar pequenas mudanças em seu corpo a partir dos cinco anos de idade. Porém, foi após a morte da mãe — episódio que o traumatizou profundamente —, que Joseph passou a apresentar aspectos incomuns em seu corpo, ainda no início da adolescência, aos 12 anos.

Com pouco, ou quase nenhum, conhecimento médico sobre o tema, os especialistas não conseguiam encontrar uma explicação para o que acontecia com o menino. Sendo que a teoria mais reproduzida na época era a de que sua mãe teria sido pisoteada por um elefante quando estava grávida, e aquele era o resultado.

Joseph Merrick por volta de 1889 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Merrick não conseguia trabalho. Suas anomalias, que já eram bastante visíveis e assustavam a todos. Então, para conseguir viver com pelo menos um pouco de dinheiro seu destino foi o mesmo de muitas pessoas que portavam condições raras: o freak show.

Anunciado como “meio homem, meio elefante”, durante o fim do século 19, Joseph viajou com o circo dos horrores. Com o estrondoso sucesso, a saga do britânico chegou a conhecimento de Frederick Treves, médico que trabalhava no Hospital Real de Londres.

Curioso pelas histórias que ouvia, o doutor pediu para examiná-lo. Depois de algumas consultas, nenhum diagnóstico foi dado. Era inédito alguém como Merrick, detectar sua condição médica, portanto, não era simples — anos mais tarde, foi concluído que ele sofria da síndrome de Proteus.

O fim da vida

Com o fim dos circos itinerantes, Joseph, mesmo com uma grande quantia de dinheiro guardado, enfrentou tempos difíceis. Sua fortuna foi roubada e ele precisou viver de esmolas e contar com a ajuda de estranhos para voltar da Bélgica para Leicester.

Ilustração de Joseph Merrick / Crédito: Divulgação

 

Já em sua terra natal, foi Treves quem lhe deu a triste notícia de que, devido a problemas cardíacos, só tinha alguns anos restantes de vida. Assim, passou a morar num porão do Hospital até seu respiro final.

Até seu último dia, em 11 de abril de 1890, aos 27 anos, as deformidades continuaram a crescer. A causa da morte refletiu o peso que era viver em seu corpo. Em uma tentativa de dormir deitado, Joseph Merrick se asfixiou e sofreu um deslocamento no pescoço.

O túmulo perdido

Depois de sua morte, seu esqueleto foi dissecado para futuros estudos médicos que poderiam contar com tecnologias mais avançadas. Mas o resto de seu corpo nunca teve o destino revelado, e permaneceu perdido por mais de um século.

Para a surpresa de todos, 130 anos do óbito do Homem Elefante, a autora Jo Vigor-Mungovin, responsável pela biografia de Merrick, anunciou que finalmente tinha localizado o túmulo perdido, em maio de 2019.

Foto da placa do túmulo de Joseph Merrick / Crédito: Creative Commons

 

Em entrevista à BBC, a escritora contou que os tecidos moles de Joseph permaneciam desaparecidos, pois, o enterro não foi divulgado na época. Ela, então, sentou e pesquisou sobre os possíveis cemitérios em que os restos mortais de Merrick estariam.

“Fui questionada sobre isso e imediatamente disse 'Provavelmente foi para o mesmo lugar que as vítimas [Jack, o] Estripador', pois elas morreram na mesma localidade”, disse Vigor-Mungovin. “Decidi fazer uma busca em uma janela de oito semanas na época de sua morte e lá, na página dois, estava Joseph Merrick”.

Segundo ela, os registros da época apontam que o túmulo é 99% o correto. “Ele dá sua residência como Hospital de Londres, sua idade de 28 anos - Joseph tinha, na verdade, 27, mas sua data de nascimento era frequentemente informada incorretamente - e o legista como Wynne Baxter, que conhecemos conduziu o inquérito de Joseph”. Para a autora “tudo se encaixa, é muita coincidência”.

Mais de cem anos depois, os restos mortais do Homem Elefante poderão encontrar a paz, um memorial deve ser levantado no local e, enfim, honrar a vida de um homem doente, que sofreu intensamente em sua curta jornada.


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