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A saga dos faraós negros em 5 curiosidades

Piye foi o primeiro dos reis negros do Egito Antigo e governou o território à distância por 35 anos

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 31/08/2021, às 14h43

Estátuas monumentais dos faraós negros da 25ª Dinastia
Estátuas monumentais dos faraós negros da 25ª Dinastia - Domínio Público via Wikimedia Commons

Kush foi um dos maiores impérios a governarem o continente africano no passado, existindo ao mesmo tempo em que o Egito Antigo dos grandes faraós. Eles foram tão importantes que conseguiram até mesmo conquistar o território dos ricos reis egípcios.

O chefe Piye, líder do Império Kush, foi capaz de dominar o Egito Antigo e governá-lo por décadas, dando origem ao período designado por historiadores como 25º Dinastia. Naquele período, os faraós negros governaram o Egito.

Separamos 5 curiosidades sobre os impressionantes faraós negros. 

1. Conquista

Pirâmide do reino Kush em Jebel Barkal, no Sudão / Crédito: Hans Birger Nilsen via Wikimedia Commons

 

Na verdade, Kush era uma colônia do Egito no começo de sua existência, localizada no sul do Egito que antes era chamada de Núbia, que hoje é partilhada com o Sudão. No entanto, com seu extremo crescimento, a região se tornou independente e conseguiu até mesmo dominar o território.

Em volta de 730 a.C., guerreiros chegaram às margens do rio Nilo para conquistar o decadente Império Egípcio, e derrotavam todos que passavam pela frente. As batalhas duraram mais ou menos um ano, até que o rei Piye se tornasse o primeiro faraó negro da história.


2. Os feitos de Piye

Piye foi o primeiro dos faraós negros; depois dele, viriam Shabaka e Taharqa, o primeiro era seu irmão e o segundo, seu filho. Depois de dominar o território, se nomeou como o verdadeiro Senhor do Egito, herdeiro das tradições espirituais de seus antecessores, uma casta de núbios.

O mais impressionante do rei, porém, é que, após conquistar o Egito, ele voltou a Napata, na Núbia, e nunca mais voltou ao território. Isso durou os 35 anos que Piye governou o Império Egípico, o que lhe rendeu o apelido de “Senhor das Duas Terras”. Com sua morte, o faraó foi enterrado em uma pirâmide junto aos seus cavalos em El-Kurru.


3. Legado dos faraós negros

Pirâmides construídas pelos filhos de Piye / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O reino de Kush deixou como legado uma série de pirâmides, tão impressionantes quanto a dos egípcios, que seguem o curso do rio Nilo em direção ao sul, seguindo para o Sudão. Os faraós negros também deixaram inúmeros monumentos em Tebas e Luxor; Shabaka, inclusive, fez com que criassem uma estátua de granito rosa com sua imagem.

Algumas das pirâmides estão localizadas em Nuri e Meroë, mas não são tão visitadas quanto as mais conhecidas do Império Egípcio, ainda que os faraós negros sejam importantes figuras do passado da região. Isso acontece por questões, principalmente, ligadas ao desconhecimento de sua história.


4. Racismo

O próprio reino de Kush e os faraós negros foram ignorados por muito tempo da história da África e seus feitos históricos apagados por estudiosos principalmente pelo racismo.

No século 19, arqueológos se negavam a aceitar que tais faraós eram, de fato, negros. Um deles era George Reisner.

O famoso pesquisador havia descoberto evidências arqueológicas sobre os africanos que governaram o Egito Antigo, mas dizia que eles não eram negros, e sim descendentes de egípcios e líbios, controlando um império de africanos negros e “primitivos”. Essa história persistiu por muito tempo, até começar a ser questionada na década de 1960.


5. História consolidada

Estátuas dos faráos negros / Crédito: Matthias Gehricke via Wikimedia Commons

 

Não foi até o ano de 2003 que a saga dos faraós negros foi totalmente consolidada na história do Egito Antigo. Na época, o arqueólogo suíço Charles Bonnet descobriu sete grandes estátuas dos faraós negros e, com as antigas evidências reanalisadas, foi possível chegar a conclusão do domínio desses líderes no Império Egípcio.

O fim do comando dos faraós negros, do reino Kush, no Egito Antigo só chegaria ao fim em 670 a.C., com a ocupação assíria da região.


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