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Sala medieval: O curioso caso do casal que encontrou um poço da Idade Média dentro de casa

Enquanto realizava uma reforma no principal cômodo da casa, os ingleses se depararam com um pedaço da história no chão — mas a descoberta foi impedida pela esposa por 24 anos

Wallacy Ferrari Publicado em 15/07/2020, às 09h00

Colin e a esposa observam o profundo poço medieval
Colin e a esposa observam o profundo poço medieval - Divulgação/BBC News/30.08.2012

Em 2012, Colin Steer, na época com 61 anos, tinha finalmente a oportunidade de matar uma de suas maiores curiosidades; toda vez que passava pela sala de casa, notava um ecoante oco no chão, próximo ao sofá. Aquilo não apenas encheu o homem de dúvidas em relação ao estado de sua casa, mas o entusiasmou para a descoberta — impedida por 24 anos.

Quando adquiriu a residência em 1988, realizou uma pequena reforma para deixar a casa como o casal queria. Quando instalava o carpete na sala, entretanto, notou um estranho buraco, mas foi impedido de explorar o mesmo pela esposa Vanessa, que alegou que a casa deveria ficar bonita e funcional o mais rápido possível.

Vanessa obrigou o marido a tapar o buraco com massa e continuar a colocação do carpete, visto que os três filhos do casal ainda eram crianças e poderiam se machucar com o desnível. Colin acatou, mas implorou ao longo de anos para desbravar a curiosa parte da casa, tendo finalmente acesso após conquistar sua aposentadoria. Durante uma tarde de tédio no sofá, o inglês buscou ferramentas; e acabou se surpreendendo.

Colin desmonta estrutura criada para tapar o poço na sala / Crédito: Divulgação/BBC News/30.08.2012

 

Buraco vitoriano

Após ver a abertura repleta de barro, Colin notou que tratava-se de um poço, cavado antes da aquisição da residência. Com a ajuda de um amigo no bairro, o aposentado passou três dias limpando o espaço, inicialmente com o auxílio de uma pá simples, mas, ao longo dos dias, teve que usar um balde enquanto descia suspenso por uma corda.

Após limpar o poço em 1,5 metro, ainda no primeiro dia, houve a primeira descoberta: uma espada velha, em um péssimo estado de conservação, mas identificável pelo formato. Foi o suficiente para deixar Steer ainda mais motivado para novas buscas. O homem foi até o limite de sua capacidade física, escavando o poço de 30 centímetros de largura até os 15 metros de profundidade.

Sem a possibilidade de prosseguir na descida, o homem instalou um sistema de iluminação improvisado, com luzes natalinas, e convocou a imprensa para solicitar auxílio na empreitada, buscando mais pessoas para escavar e especialistas para avaliar do que se tratava o poço e a espada encontrada.

Colin observa a profundidade do poço aberto / Crédito: Divulgação/BBC News/30.08.2012

 

A descoberta nacional

Amplamente divulgada pela imprensa, a descoberta chamou a atenção de arqueólogos, que analisaram a estrutura encontrada por Colin, concluindo que a mesma foi feita durante o século 16, logo após o fim do período medieval, mas não puderam concluir o intuito ou a posição histórica do poço.

De acordo com mapas antigos, a região da residência, em Plymouth, não tinha casas construídas até o ano de 1895, posterior a data atribuída ao poço, o que leva os pesquisadores a acreditarem que a construção era apenas de um poço isolado na floresta, próximo de uma nascente com água de boa qualidade.

Steer brincou com a imprensa, afirmando que iniciou a escavação “em busca de um pote de ouro”, mas a recusa de Vanessa se manteve a mesma, 24 anos depois da primeira tentativa: “Eu odeio o poço. Mas suponho que seja uma característica e tanto. Quando vendermos a casa, espero que não seja um elefante branco na sala", disse a esposa em entrevista ao Daily Mail.


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