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'Samba': Conheça a obra de Di Cavalcanti destruída num incêndio 87 anos depois de sua composição

Obra simbólica na história da arte brasileira, a tela feita por Di Cavalcanti em 1925 carrega elementos vibrantes da cultura nacional

Izabel Duva Rapoport Publicado em 04/07/2021, às 09h00

Fotografia do artista carioca Di Cavalcanti
Fotografia do artista carioca Di Cavalcanti - Domínio público / Acervo Arquivo Nacional

“Sempre o mais exato pintor das coisas nacionais”, dizia o escritor Mário de Andrade (1893-1945) sobre o amigo Di Cavalcanti (1897-1976), que pintava em suas telas o povo brasileiro e seu cotidiano. “A arte brasileira depende da realidade brasileira e é ao mesmo tempo reveladora dessa realidade. Por isso, nossa expressão é ainda em grande parte lírica”, descreveu o pintor carioca, que também era ilustrador, escritor, cenógrafo, caricaturista e um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, a primeira manifestação coletiva pública na história cultural do país.

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo também foi um militante do chamado Partido Comunista, fato que lhe rendeu uma perseguição política e uma mudança para Paris, onde o carioca teve a oportunidade de conviver com artistas da vanguarda, como Pablo Picasso, Georges Braque e Henri Matisse.

De volta ao Brasil, já em 1925, Di Cavalcanti traz suas influências — mas não sem deixar de desenvolver sua própria linguagem e de expressar em seus trabalhos a sua arte genuinamente brasileira. Em 'Samba', uma das primeiras obras produzidas após sua estadia na Europa, o artista faz uma composição dessas referências, como o cubismo em traços delimitados e a profusão de tons, com a música, a sensualidade da mulher brasileira e a exuberância do país tropical.

As referências retiradas dos horizontes brasileiros estão presentes desde as cores fortes e em grandes quantidades, até os movimentos e formas simples, volumosas e atraentes. Cada detalhe da obra de Di Cavalcanti expressa não apenas a cultura brasileira, que aflorou em sua época, mas também a crítica à realidade social do lugar onde vivia.

A notícia triste é que o fogo destruiu o Samba de Di Cavalcanti. A obra fazia parte do acervo do galerista e colecionador Jean Boghici (1928-2015), que morava no Rio de Janeiro. Em 2012, um forte incêndio atingiu seu apartamento em Copacabana e danificou algumas de suas peças, dando fim a um patrimônio pessoal — e também nacional.


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