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Sem dinheiro e familiares: Os solitários dias finais de Nikola Tesla

Um dos maiores gênios do século 20, Tesla morreu pobre e abandonado em um quarto de hotel em Nova York

Alana Sousa Publicado em 22/07/2020, às 17h00

Nikola Tesla, grande cientista do século 20
Nikola Tesla, grande cientista do século 20 - Wikimedia Commons

Eternizado como mago da eletricidade, Nikola Tesla (1856-1943) foi um dos maiores gênios que a História já teve. Apesar de todo o legado deixado e a influência que exerceu em cientistas do mundo todo após sua morte, o inventor nascido no, já extinto, Império Austro-Húngaro, sofreu durante sua longa vida e morreu pobre e solitário.

É consenso que o gênio sofria de Transtorno Obsessivo Compulsivo — popularmente conhecido como TOC. Desde muito novo mostrou sinais de problemas mentais, aos 7 anos perdeu o irmão e logo em seguida relatou que via frequentemente flashes de luz. “O ar ao meu redor cheio de línguas de fogo vivo”, escreveu Tesla.

Aos 28 anos de idade, mudou-se para os Estados Unidos, atuava como engenheiro na sede de Thomas Edison, em Manhattan. Mesmo com a grande reputação de Edison, foi Nikola que inventou o primeiro motor de corrente alternada, mostrando ser uma parte crucial para o avanço nos estudos de energia elétrica.

Entre descobertas científicas e problemas teóricos, viveu a maior parte de sua vida sozinho, nunca se casou ou teve filhos. Buscava satisfação em seu trabalho e chegou a afirmar que não se achava suficiente para nenhuma moça; o que mudou anos depois com as mulheres cada vez mais ocupando espaços importantes na sociedade.

Nikola Tesla / Crédito: Getty Images

 

“No lugar da mulher de voz suave e gentil da minha reverência, veio a mulher que pensa que seu principal sucesso na vida reside em tornar-se o máximo possível como o homem - em roupas, voz e ações, esportes e conquistas de todo tipo ... A tendência das mulheres de afastar o homem, suplantando o velho espírito de cooperação com ele em todos os assuntos da vida, é muito decepcionante para mim”, escreveu o cientista.

Últimos anos

Tesla sempre manteve uma rotina de trabalho intensa, dormia apenas duas horas por noite e tirava poucos cochilos para se manter atento. Participava de algumas ocasiões especiais com outros cientistas, que sempre lhe elogiavam. Certa vez, Albert Einstein foi perguntado como era se sentir o homem vivo mais inteligente, ao que respondeu “Eu não sei, você vai ter que perguntar a Nikola Tesla”.

Com algumas manias, no mínimo esquisitas, como sua obsessão pelo número 3 e a crença de que era capaz de falar com extraterrestes. Nikola colecionava hábitos bizarros, alguns que claramente eram parte de seus transtornos mentais, e outros, excentricidades: lavava a mão várias vezes, sempre usava luvas e tinha medo de objetos redondos.

Suas interações sociais eram jantares raros, pois, na maioria dos dias se alimentava sozinho nos restaurantes Delmonico e, mais tarde, no Waldorf-Astoria Hotel. Sem família, residia no quarto 3327 do Hotel New Yorker.

Anualmente, uma conferência era organizada no dia do seu aniversário, cerimônia que teve início aos seus 75 anos, com ajuda de seu amigo Kenneth Swezey. Era um dia incomum em sua rotina, recebia cartas e distribuía comida e bebida - com pratos que ele próprio criara. Além de convidar a imprensa para anunciar suas novas invenções e ouvir histórias antigas, assim como opiniões sobre eventos atuais.

Tesla em seu laboratório / Crédito: Getty Images

 

Saía regularmente para alimentar os pombos em uma catedral próxima, eram seus únicos amigos, com que ele mantinha uma relação peculiar.

 “Venho alimentando os pombos, milhares deles, há anos, mas havia um pombo, um pássaro bonito, branco puro com detalhes cinza claro em suas asas. Aquele era diferente... Não importa onde eu ia, aquele pombo iria me encontrar; quando eu queria ver ela só tinha que desejar e chamá-la para que ela viesse voando até mim... Eu amei aquele pombo... Eu a amava como um homem ama uma mulher, e ela me amava”, disse o inventor em uma de suas últimas entrevistas.

Já mais velho, com 81 anos, em uma de suas caminhadas noturnas para ver os animais, sofreu uma acidente. Foi atropelado por um táxi e fraturou as costelas. Como se recusou a consultar um médico, nunca conseguiu se recuperar totalmente.

Continuou trabalhando até seus últimos dias, mas apesar do talento, a remuneração financeira não era boa. Naquela época, suas invenções não eram tão apreciadas, e por isso ele precisava patentear quase tudo que criava. Era uma celebridade, mas empobrecido.

Era 7 de janeiro de 1943, a empregada do hotel Alice Monaghan entrou no quarto do cientista após ele não responder seus chamados. O encontrou morto na cama, a causa da morte foi estabelecida como trombose coronariana.

Seus materiais foram recolhidos e seu corpo foi cremado. Hoje, suas cinzas podem ser vistas em uma esfera de ouro no Museu Nikola Tesla, na Sérvia.


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