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Sem folhas duplas: Como era a vida antes do papel higiênico?

Considerado indispensável por diversas civilizações nos dias atuais, o produto nem sempre foi um direito garantido para todos

Redação AH/ Atualizado por Pamela Malva Publicado em 22/02/2021, às 15h00

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Publicidade dos papéis higiênicos Scott - Wikimedia Commons

No passado, o conceito de higiene pessoal era bastante diferente do que conhecemos hoje. Durante a Era Vitoriana, por exemplo, as roupas brancas tinham sua cor realçada em um procedimento bastante curioso: com a ajuda da urina.

Ainda mais, no Brasil do século 19, por exemplo, a limpeza não parecia uma prioridade. Durante suas pesquisas, a historiadora Mary Del Priore verificou que, em cartas para suas famílias, viajantes europeus afirmavam que as residências de brasileiros eram “repugnantemente sujas”, com penicos espalhados pelos cômodos e chãos imundos.

Hoje em dia, com chuveiros, xampus e perfumes, a humanidade está acostumada com uma rica rotina de limpeza. Mas como será que nossos antepassados se viravam antes da criação de itens considerados tão essenciais, como o papel higiênico?

Papel higiênico produtzido pela Nokia em meados da década de 1960 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A história de um rolinho

O item primordial dos banheiros já foi luxo para poucos. Inventado na China em 1391, o papel higiênico vinha em folhas e era produzido para uso exclusivo da nobreza. Na Europa, enquanto pessoas comuns recorriam à neve e à lã de carneiro, os nobres usavam toalhinhas higiênicas, que, de tão caras, eram consideradas símbolo de poder.

Na Antiguidade, os gregos usavam uma vara com uma esponja na ponta (que, depois de embebida em água e sal, era usada novamente). Nos tempos de colônia, os brasileiros faziam uso da palha de milho — de preferência as verdes, mais macias. Na falta do produto, eles apelavam para o sabugo mesmo.

Os menos afortunados se viravam como podiam. Na maioria das vezes, com o que estivesse à mão. Folhas, grama, pedaços de madeira, o já citado sabugo de milho, areia, peles de animais, cascas de frutas, jornal (tal qual a famosa paródia natalina) e até as mãos — costume esse que ainda existe em alguns lugares da Índia.

É por isso, inclusive, que "os indianos usam a mão direita para comer e cumprimentar as pessoas", segundo a professora de história da USP Tereza Pereira de Queiroz. "A mão esquerda era usada para se limpar", afirma.

Papel higiênico em folhas produzido pela França em meados de 1960 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Do reino para a plebe

O papel higiênico só começou a se popularizar em meados de 1857. Na época, o americano Joseph Gayetty passou a vender pacotes de 500 folhas por 50 centavos de dólar — com marca d'água do criador e perfume de babosa (a tão famosa aloe vera) .

Direcionada a pessoas com hemorroidas, a invenção foi um fracasso comercial no início das vendas. Foi só dez anos mais tarde que os fabricantes descobriram que era possível vendê-lo mais barato e que o perfume era dispensável.

No final do século 19, então, o papel higiênico passou a ser fabricado em escala industrial, apesar de ainda não ser grande coisa. Com o passar dos anos, então, o produto foi recebeno diferentes características — como cor, odor e aspereza.

Até a década de 1950, era possível encontrar pacotes do papel nos Estados Unidos com a inscrição: "Papéis Northern: Os únicos sem lascas!". Já no Brasil, o famigerado o papel rosa, feito de um material tido como inferior, de folha única e áspero como uma lixa, sumiu nos anos 1990 e não deixou saudades.


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