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Sepulturas de 100 figuras notórias: a história do suntuoso Cemitério da Consolação

Localizada no distrito de São Paulo, foi a primeira necrópole pública do Estado e, no início, abrigava pessoas de todas as classes sociais

Pamela Malva Publicado em 11/04/2020, às 10h00

Uma das avenidas do Cemitério da Consolação
Uma das avenidas do Cemitério da Consolação - Wikimedia Commons

Logo no comecinho do Brasil Império, em 1822, o país já tinha que lidar com um grande problema sanitário. Sempre que alguém morria, era de bom costume que seu corpo fosse enterrado em solo sagrado.

Dessa forma, centenas de pessoas foram sepultadas em terrenos de diferentes igrejas e o conceito de saneamento foi confrontado pelos cadáveres cobertos de terra. Assim, em meados de 1829, o então vereador Joaquim Antonio Alves Alvim teve uma ideia.

A sugestão do político, pelo menos para o Estado de São Paulo, era construir um cemitério público na cidade. Assim, todos os corpos poderiam ser enviados para um único local, que não afetaria o meio ambiente e a saúde sanitária da população.

Deu-se início, então, aos primeiros projetos de necrópoles — ou cemitérios — em São Paulo. A proposta, entretanto, demorou muito para sair do papel, já que por tratar de crenças religiosas, foi amplamente discutida por cerca de 30 anos.

Vista da capela do Cemitério / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em cemitério para todos

Inicialmente, os envolvidos no projeto pensaram qual seria o melhor local para construí-lo. Entre as opções estavam a área a da Igreja da Consolação, o bairro da Luz e o bairro de Campos Elísios.

A favor da Igreja da Consolação, o engenheiro Carlos Rath desenvolveu um estudo sobre a localização, em 1855. Na pesquisa, ele analisou a altitude da região, a direção dos ventos e a qualidade do solo. Um dos pontos mais definitivos, no entanto, foi a distância da cidade central.

Foi decidido, então, erguer a primeira necrópole paulista na Consolação — distrito que fazia parte da periferia de São Paulo. Por dois anos, a construção demandou uma grande quantidade de verba — inclusive os dois contos de réis doados pela Marquesa de Santos, uma fortuna para a época, em 1957.

Foi apenas em 1958, quando o surto de varíola atingiu a cidade paulista que o Cemitério da Consolação foi inaugurado. Na época, ainda que não estivesse terminada, a necrópole recebeu os corpos das primeiras vítimas da doença.

Entrada do Cemitério em 1928 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Centro de fama, arte e tristeza

O primeiro sepultamento no Cemitério da Consolação aconteceu em 15 de agosto de 1858. A partir deste dia, foram abertas as portas de uma das necrópoles mais luxuosas do Estado de São Paulo.

Por mais que, no começo, o cemitério público recebesse corpos de todas as classes sociais — inclusive escravos —, a aristocracia logo tomou conta do local. Com a criação do Cemitério dos Aflitos e do Cemitério do Araçá, a elitização foi ainda maior.

De 1897 em diante, o Cemitério da Consolação já recebia, quase de forma exclusiva, uma grande maioria de corpos de classes média e alta. Com isso, a necrópole se tornou um dos grandes expoentes da Arte Tumular no Brasil.

Conforme mais e mais burgueses eram enterrados no local, os túmulos e mausoléus suntuosos ganharam espaço como uma representação do status social do morto. As coisas só ficaram mais sofisticadas quando importantes figuras brasileiras foram enterradas na Consolação.

Hoje, mais de 100 figuras notórias estão sepultadas nos 76 mil metros quadrados do cemitério. Entre eles estão Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Monteiro Lobato e a própria Marquesa de Santos, que financiou a construção da necrópole.

Túmulo de Olívia Guedes Penteado no Cemitério da Consolação / Crédito: Wikimedia Commons

 

A arte tumular

Para estudiosos modernos de fotografia e arquitetura, o Cemitério da Consolação é um grande museu a céu aberto. Isso porque obras de diversos arquitetos e escultores famosos decoram as sepulturas dos aristocratas enterrados.

Antigamente, antes mesmo do fim do Brasil Império, as famílias abastadas de São Paulo realmente competiam entre si, buscando o túmulo mais sofisticado e ornamentado. Assim, foram erguidas verdadeiras obras de arte em mármore e bronze.

Um dos maiores destaques do cemitério é o enorme mausoléu da família Matarazzo. Com o tamanho equivalente a um prédio de três andares, a construção sepulcral é a maior da América Latina. Obra de Luigi Brizzolara, a estrutura conta com diversas esculturas e ornamentos de puro bronze italiano.


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