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Só garantiam status: a curiosa história das primeiras chaves

Elas nasceram para manter patrimônios seguros. Mas, por muito tempo, eram diferentes do que conhecemos atualmente

Mariana Ribas Publicado em 14/03/2021, às 09h00

Imagem meramente ilustrativa
Imagem meramente ilustrativa - Pixabay/kcssm

No princípio, era o nó. Portas de casarões, templos, baús... tudo era fechado por amarração – o que, claro, não era um sistema que deixasse alguém muito tranquilo.

Por mais complicado que fosse o nó, sempre haveria um jeito de desfazê-lo – se faltasse paciência, podia até ser com uma adaga, como fez Alexandre, o Grande.

A busca por uma tecnologia mais segura levou à invenção, cerca de 4 mil anos atrás, dos primeiros modelos de chave. Mas não era bem o tipo que você leva no bolso. O objeto era de madeira, grande e pesado, e tinha apoio para as mãos.

Mas essa chave egípcia tinha um problema básico: a matéria-prima. Isso porque a madeira é influenciada pelo meio. Na presença de umidade, ela incha. E aí, num dia chuvoso, um infeliz qualquer não conseguiria inseri-la na fechadura. E acabaria molhado fora de casa.

O lado bom de ser grande – pelo menos para quem era rico – tinha a ver com status. Como a produção de chaves era complexa, apenas os endinheirados eram capazes de ter uma. Já que eram enormes, as pessoas as carregavam nas costas. Hoje, claro, isso parece um estorvo.

Só que na época era uma oportunidade de ostentar. Mas foi só no Império Romano – quando já havia riquezas num volume tal que realmente merecessem um sistema de segurança mais rigoroso – que começaram a surgir chaves mais eficientes: peças feitas de metal.

No começo eram pregos metalizados, e a fechadura era feita sob medida para cada prego-chave. Ainda assim, a novidade tinha defeitos. Como os pregos tinham formato parecido, não era tão difícil achar um que combinasse com a fechadura do vizinho. Para piorar, eles quebravam facilmente.

Então era melhor garantir: qualquer patrimônio que valesse o investimento tinha, além das chaves, guardas armados diante das portas. Uma evolução importante se deu com a chave gorja, que surgiu pouco depois.

Feita de bronze e ferro, era menor e mais prática, e tinha segredos, dificultando uma invasão. Mesmo menorzinha, ainda era pendurada em lugares visíveis – pois ter uma chave continuava evidência de uma condição financeira privilegiada.

Já no século 9, os romanos chegaram a uma grande inovação, um modelo que permaneceu na ativa ao longo de mais de nove séculos: uma chave inteiramente de ferro.

Além de mais resistente, ela tinha um segredo mais complexo. Os romanos de posses costumavam ter, na época, cofres instalados dentro de cofres, e com uma chave para cada um.

Até que, no século 18, com a Revolução Industrial, ficou mais simples produzir uma chave de boa qualidade – e em grande escala. A chave deixava de ser coisa de rico. E se acomodava, enfim, no bolso de todo mundo.