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Sol, Lua, agricultura e superstição: A evolução do calendário

A humanidade tenta compreender o conceito de tempo há mais de 15 mil anos e, por isso, criou a contagem que conhecemos hoje

Redação Publicado em 08/08/2021, às 10h00

Imagem meramente ilustrativa de calendário
Imagem meramente ilustrativa de calendário - Divulgação/ Pixabay/ Amber_Avalona

Desde o início da sua História o homem precisou contar o tempo. Era uma questão de sobrevivência. Dessa maneira ele podia planejar as plantações, prevenir-se do frio e das cheias dos rios. “O conceito de tempo começou com a observação e percepção dos ciclos da natureza e dos movimentos celestes”, explica Alexandre Cherman, astrônomo da Fundação Planetário do Rio de Janeiro. No mundo não existe um só calendário adotado.

Os islâmicos, que hoje vivem o ano de 1436, por exemplo, medem o tempo com base na Lua. Já os judeus usam o método lunissolar (os meses são contados de acordo com os ciclos da Lua, já o ano é adaptado regularmente ao ciclo solar) e estão no ano 5775. No Brasil, em pleno 2015, o calendário adotado é o gregoriano, que se baseia no movimento do Sol (a exceção é a data da Páscoa, que é lunar).

Há 15 mil anos

O homem passa a entender o conceito de tempo a partir de suas observações dos ciclos da natureza e também do movimento do Sol e da Lua. De uma maneira bastante rudimentar os dias começam a ser marcados com X nas pedras das paredes das cavernas. Essa seria talvez a primeira folhinha da História da humanidade.


5000 a.C.

Quando o homem entende o conceito de estação do ano, e assim consegue melhorar a sua atividade agrícola, surgem os êxodos e as primeiras cidades na Mesopotâmia e na Suméria. Egípcios e hebreus são os primeiros a criar calendários, depois os gregos.

Com o passar do tempo, as estações não coincidiam mais com o tempo do calendário e os povos precisam fazer ajustes. Os hebreus apostam no sistema lunissolar, que leva em conta os ciclos do Sol e da Lua. Já os egípcios passam a seguir apenas as estações do ano.


753 a 717 a.C.

Pintura de Rômulo, o rei de Roma / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Rômulo, o rei de Roma, criou um calendário próprio, que é o começo do gregoriano, o que usamos hoje. O ano tinha 304 dias, divididos em dez meses. Os quatro primeiros tinham nomes de deuses da mitologia romana, exceto Aprilis, alusão à “abertura” das flores na primavera.

Os demais eram designados por números, que indicavam a posição no calendário. October era o oitavo November, o nono. O mais curioso é que o inverno não era contabilizado. Ou seja, depois do último dia de dezembro, os 61 seguintes não faziam parte de contagem alguma.


717 a 673 a.C. 

Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, reformulou o calendário de seu antecessor acrescentando dois meses, Februarius, o 11º mês, e Januarius, o 12º. Supersticiosos, os romanos consideravam malditos os números pares, assim eliminaram todos os meses com 30 dias, totalizando o ano com 354 dias, que é par!

Então Februarius ganhou mais um dia. O número dava uma diferença de 10,25 dias periodicamente no final de cada ano. Para corrigir a diferença, eles acrescentavam a cada dois anos um mês, o Mercedonius.


100 a 44 a.C.

Ao assumir o Império Romano, Júlio César encontra um calendário que não mais se ajusta às estações do ano. Ele estava cerca de 67 dias adiantado em relação ao ano natural. O imperador manda vir de Alexandria o astrônomo Sosígenes. Depois de anos de cálculos, é abolido o calendário lunar e adotado o solar.

Define-se que o ano começa em Januarius, não mais Martius. Para isso, faz-se coincidir o dia 1º de janeiro com a primeira lua nova depois do solstício de inverno do hemisfério norte, que naquela época acontecia dia 25 do mês 12. Nasce o calendário juliano.


730 d.C.

Busto de Marco Antonio / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Marco Antonio quis reconhecer a importância da reforma introduzida por Júlio César, assim o sétimo mês, Quintilis, passou a se chamar Julius. O Senado homenageou o Imperador César Augusto nomeando o oitavo mês de Augustus.

Para evitar “ciúme”, Augustus deveria ter o mesmo número de dias que Julius: tirou-se um dia do mês de Februarius e colocou-se em Augustus, que passou a ter 31 dias. Os romanos também tiraram dias de setembro e novembro para que não ficassem muitos meses seguidos com 31 dias. E assim começa uma divisão de tempo sem lógica.


1582 d.C.

O calendário juliano acabou por mudar a data do equinócio da primavera. Entre tantas discrepâncias a data da Páscoa começou a preocupar a Igreja. Foram anos e anos de estudos até que o calendário gregoriano, o mesmo que usamos hoje, foi instituído pelo papa Gregório XIII em outubro de 1582.

Os especialistas queriam fazer com que o equinócio da primavera fosse em 21 de março. Para que isso acontecesse era preciso que o dia imediato à quinta-feira 4 de outubro fosse designado sexta-feira 15 de outubro.


5000 d.C.

No calendário gregoriano o ano é um pouquinho mais longo do que marca a folhinha na parede. São 365 dias, cinco horas, 49 minutos e 12 segundos. A acumulação dessa diferença, que hoje é de imperceptíveis 27 segundos, pode virar um dia a cada 3 mil anos. Há quem acredite que lá pelo ano 5000 desta era seja necessário fazer mais um ajuste no calendário.


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