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Spas de Lenin: os intrigantes sanatórios criados para cuidar do povo soviético

Com terapias rigorosas de saúde e bem-estar, as instituições buscavam revigorar e tratar os russos para que eles voltassem a trabalhar descansados

Pamela Malva Publicado em 12/04/2020, às 13h00

Corredor do sanatório Tskaltubo, na Geórgia
Corredor do sanatório Tskaltubo, na Geórgia - Claudine Doury

Em meados da Revolução Russa de 1917, Lenin percebeu que grande parte de seu povo e de sua força militar estava cansada de conflitos e precisava de um descanso. Com o auge da revolução, entretanto, ele apenas rascunhou algumas soluções.

Foi apenas em 1920 que o líder russo teve uma ideia que mudaria o conceito de férias no país. Naquele ano, ele emitiu o decreto "Sobre a utilização da Criméia para o tratamento médico dos trabalhadores", que previa centros de cuidados para todos.

Em 1922, o Código do Trabalho soviético formalizou: as férias eram obrigatórias e deveriam ser tiradas nos recém construídos sanatórios. Em uma mistura balanceada de hospital e spa, os sanatórios foram construídos em centenas, por toda a península da Criméia e ao redor do território da URSS.

O sanatório Aurora, no Quirguistão / Crédito: Dmitry Lookianov

 

Férias programadas

Todo ano, os cidadãos soviéticos visitavam os sanatórios construídos por Lenin durante, pelo menos, duas semanas. Todos os tratamentos e estadias eram financiados pelo Estado, que buscava justificar a ideologia de que trabalho e descanso eram duas coisas intimamente interligadas.

Dessa forma, cada indivíduo poderia se recuperar e, assim, voltar ao trabalho revitalizado, mais saudável e produtivo. Por esse motivo, inclusive, os sanatórios, em meados de 1990, chegavam a receber até meio milhão de visitantes por vez. 

Em algumas instituições, como o Aurora, no Quirguistão, eram mais de 350 funcionários para tratar o total máximo de 200 hóspedes. Construído em 1979, esse sanatório em especial era focado na elite soviética. Por outro lado, o Reshma, inaugurado em 1987, abrigava cosmonautas e vítimas da explosão de Chernobyl.

Sala de tratamento com parafina / Crédito: Michal Solarksi

 

Tratamentos rígidos

Ainda que fossem quase um spa moderno, os sanatórios contavam com regras rígidas e tratamentos muito bem elaborados. Assim que chegava, o novo hóspede consultava um médico e recebia uma lista de cuidados necessários.

Dentro das instituições rigorosas, portanto, as pessoas eram proibidas de beber, dançar ou fazer muito barulho. Nessa lógica, até mesmo os banhos de sol eram cronometricamente contados.

Todas as regras e imposições, entretanto, eram as formas que o Estado via para cuidar das pessoas mas, ainda assim, mantê-las controladas. Portanto, de certa forma, cada detalhe era programado para o máximo bem-estar do povo soviético.

Piscina do sanatório Klyazma, na Rússia / Crédito: Natalia Kupriyanova

 

Os sanatórios hoje

Depois do decreto de Lenin, sanatórios e mais sanatórios foram construídos por toda a extensão da União Soviética. A partir daquele ano, eles só pararam de funcionar após o colapso da nação, em 1991.

Hoje em dia, as mesmas instituições e tratamentos podem ser visitados por curiosos e turistas. Na época da queda do comunismo soviético, muitos dos sanatórios foram convertidos em campos de refugiados. Outros deles, ainda assim, continuaram hospedando e tratando quaisquer pessoas que entrem pela porta.

Comandados pelo estado ou por empresas soviéticas, portanto, as dezenas de sanatórios ainda ativos podem virar o destino de uma viagem inusitada. O Aurora, por exemplo, é um dos muitos que ainda segue de pé e promete cuidar dos visitantes da melhor forma e mais fiel ao passado possível.


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