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Stephen Hawking, expedições interestelares e deslocamentos no tempo

Mesmo considerados fantasiosos pela comunidade científica, ambos os temas foram abordadas pelo grande cientista. Entenda!

Raphaela de Campos Mello Publicado em 16/01/2022, às 10h00

Fotografia de Stephen Hawking em 2007
Fotografia de Stephen Hawking em 2007 - Getty Images

O fato de que expedições interestelares e deslocamentos no tempo fossem temas por demais fantasiosos aos olhos da comunidade científica não fez com que Stephen  Hawking os evitasse. Pelo contrário. Em sua obra póstuma, 'Breves Respostas para Grandes Questões', ele abordou ambos os tópicos.

“Se a espécie humana conseguir reconstruir a si mesma para reduzir e eliminar o risco de destruição suicida, provavelmente se estenderá e colonizará outros planetas e estrelas. As viagens espaciais à longa distância, entretanto, serão difíceis para as formas de vida como nós, baseadas na química, no DNA. A vida natural de tais seres é curta em comparação com o tempo de viagem”, ele ponderou.

De acordo com a teoria da relatividade, nada pode viajar mais rápido do que a luz, de modo que uma viagem de ida e volta à estrela mais próxima levaria pelo menos oito anos, e, ao centro da galáxia, por volta de 50 mil anos.

“Na ficção científica, superam essa dificuldade com curvaturas do espaço e viajando através de dimensões adicionais, mas não acho que isso será possível, por mais inteligente que a vida se torne. Na Teoria da Relatividade, se for possível viajar mais rápido do que a luz, também será possível voltar no tempo, e isso causaria problemas com as pessoas que voltariam para mudar o passado. Também esperaríamos ter visto um grande número de turistas do futuro, movidos pela curiosidade de ver nossas formas de vida pitorescas e ultrapassadas”, explanou Hawking, com seu tom brincalhão.

Permitindo-se um devaneio futurista, ele aventa outra possibilidade: “Talvez seja possível utilizar a engenharia genética para fazer com que a vida baseada em DNA sobreviva indefinidamente, ou pelo menos cem mil anos. Mas uma forma fácil, que já está quase a nosso alcance, seria enviar máquinas."

"Elas poderiam ser projetadas para durar muito, o suficiente para viagens interestelares. Quando chegarem a uma nova estrela, poderiam aterrissar em um local adequado de um planeta e escavar minas para conseguir material para produzir mais máquinas, que poderiam ser enviadas a mais estrelas", continuou.

"Tais máquinas seriam uma nova forma de vida, baseada em componentes mecânicos e eletrônicos, em vez de macromoléculas. Poderiam chegar a substituir a vida baseada em DNA, da mesma forma que o DNA pode ter substituído uma forma de vida anterior."

Em relação às viagens no tempo, Hawking defendeu em sua autobiografia 'Minha Breve História': “Essa é uma questão que os físicos deveriam poder discutir livremente sem serem alvo de risos ou de desdém. Mesmo que viajar no tempo acabe se revelando algo impossível, é importante que entendamos por que é impossível”.

Segundo o cientista, flutuações quânticas do fundo do espaço-tempo podem muito bem criar buracos de minhoca (buraco ou túnel no espaço tempo que pode desembocar em outro universo ou em outra parte ou tempo do nosso próprio universo) e viagens no tempo em escala microscópica. Porém, de acordo com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, corpos macroscópicos não serão capazes de revisitar seu passado.

“Mesmo que uma nova teoria seja descoberta no futuro, não acho que viajar no tempo algum dia será possível. Se fosse, a essa altura já teríamos sido invadidos por turistas vindos de lá”, ele atestou. Claro que o inglês não perderia a chance de brincar com a possibilidade imaginária de zanzar pelo passado e pelo futuro.

“Se eu tivesse uma máquina do tempo, eu visitaria Marilyn Monroe em seus dias de glória ou iria atrás de Galileu enquanto ele construía seu telescópio. Talvez eu até viajasse para o fim do universo para descobrir como a nossa histórica cósmica termina”, escreveu, em artigo produzido para o jornal Daily Mail, em 2010.