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Suécia tem a primeira biblioteca de livros censurados do mundo

O acervo reúne obras que foram proibidas em algum lugar, em algum momento da História, contendo inclusive Paulo Coelho

Ingredi Brunato Publicado em 17/12/2020, às 14h19

Fotografia da biblioteca
Fotografia da biblioteca - Divulgação

A biblioteca sueca Dawit Isaak, inaugurada na segunda metade deste ano, tem uma proposta única. O acervo reúne livros, peças de teatro e canções que, em algum momento da História já foram banidos. 

O local é nomeado em homenagem ao dramaturgo e jornalista Dawit Isaak, que já soma 19 anos sendo preso político da Eritreia após fazer críticas ao governo. O homem, que ganhou o Prêmio Mundial da Liberdade de Imprensa em 2003, nunca teve direito a um julgamento, e a própria Anistia Internacional já se manifestou pedindo pela sua libertação, entretanto sem ser atendida. 

Fotografia de Dawit Isaak / Crédito: Divulgação/ Kalle Ahlsén 

 

“A censura não é algo que pertence à história. Autores ainda são ameaçados, ainda que as razões para tal variem de país para país em diferentes períodos. E ainda é difícil ter acesso a literatura contemporânea proibida ou censurada em diversos países. Nesse sentido, a biblioteca cumpre um importante papel”, afirmou a diretora da biblioteca, Emelie Wieslander, em entrevista à Rádio França Internacional. 

As peças do acervo público sueco ainda vêm com explicações de porque elas foram banidas. Em alguns casos, foi o conteúdo em si, enquanto com outros, o autor acabou sendo exilado ou preso. 

Uma curiosidade é que a seção latino-americana contém Paulo Coelho, incluindo uma de suas obras mais famosas, "O Alquimista”. Os livros foram apreendidos no Irã em 2011, com o motivo nesse caso sendo que o diretor da editora que lançou as obras, Arash Hejazi, foi visto em um protesto contra o governo. 

Fotografia de biblioteca durante inauguração / Crédito: Divulgação 

 

“É importante que bibliotecas sejam espaços onde as pessoas possam formar suas próprias opiniões. E para isso, as pessoas precisam de fatos. Censurar livros e ideias não fortalece a democracia – muito pelo contrário”, concluiu ainda Emelie.