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Sumiço de 500 anos: A curiosa história da suposta obra perdida de Da Vinci

O gênio renascentista teria pintado uma importante batalha antes de morrer, mas historiadores discordam da existência dessa criação

Alana Sousa Publicado em 06/12/2020, às 12h00

Obra de Peter Paul Rubens retratando a Batalha de Anghiari
Obra de Peter Paul Rubens retratando a Batalha de Anghiari - Wikimedia Commons

Leonardo da Vinci era, de fato, um gênio multifacetado. Seus pensamentos sobre arte, engenharia, anatomia, arquitetura e, até mesmo, música intrigam estudiosos mesmo 500 anos após a sua morte. Seus amores, seus códigos e, principalmente, suas pinturas escondem mistérios que ainda são difíceis de serem decifrados.

Suas obras, em muitos aspectos, únicas, revelam uma mente inquieta e que talvez jamais será totalmente compreendida. Entre vestígios do seu legado, estão possivelmente telas perdidas, inacabadas, que estariam em algum lugar do mundo, esperando para serem encontradas.

A obra perdida

Uma teoria muito debatida entre entusiastas e especialistas é uma criação que estaria desaparecida. Trata-se de uma representação da Batalha de Anghiari que, segundo a lenda, teria sido criada em meados do século 16. A tela estaria, então, escondida em uma das paredes do Palazzo Vecchio de Florença.

Entretanto, um grupo de estudiosos se esforçou para sanar essa questão histórica. Teria Da Vinci deixado uma obra perdida, um rascunho inacabado? A resposta para essa pergunta não é tão simples, cinco séculos depois da partida do artista renascentista, nenhum vestígio concreto desse quadro foi localizado.

De acordo com a Agenzia Nazionale Stampa Associata (ANSA), os pesquisadores acreditam na hipótese de que Leonardo estava se preparando para começar a realizar a obra, mas que nunca chegou a iniciar a pintura, ou, até mesmo, a comprar as tintas.

Um suposto rascunho da obra perdida / Crédito: Wikimedia Commons

 

A nova tese contraria o depoimento de Benvenuto Cellini, um escultor florentino que constatou na época a grandiosidade da tela de Da Vinci, que mostrava o confronto histórico entre Florença e Milão, no ano de 1440.

“Obra-prima inovadora”, foi assim que Cellini descreveu a tela, sugerindo ainda que por sua perfeição deveria ser estudada por outros artistas. No entanto, um episódio fatídico impediu que a criação fosse apreciada por outras pessoas.

Quando o pintor renascentista Giorgio Vasari foi encarregado de redecorar o salão principal do Palazzo Vecchio, em 1560, quase 40 anos após a morte de Da Vinci, ele teria salvado o quadro da destruição iminente, realojando A Batalha de Anghiari atrás de uma das — muitas — paredes.

Aqui então, encontra-se algumas inconsistências, para Alex Greenberger, da revista ARTnews, Leonardo estaria esperando uma reforma nas paredes para começar o trabalho, e como isso nunca aconteceu não seria viável pintar com tinta na superfície.

A opinião também é compartilhada por Francesca Fiorani, historiadora de arte e autora do livro ‘O desenho da sombra: como a ciência ensinou Leonardo a pintar’: “Como o processo de preparação da parede não foi bem-sucedido, Leonardo nunca pintou nela”, afirmou. “Isso significa que a batalha de Leonardo existiu apenas como um desenho, nunca como uma pintura na parede”, finalizou.

Apenas uma ideia

Alguns registros antigos dão base para esse argumento, documentos dos anos 1503 e 1506 mostram que o pintor comprou grandes quantidades de equipamentos, mas nenhuma tinta. Porém, historiadores como Maurizio Seracini se mostram irredutíveis quanto a existência da obra perdida.

Leonardo da Vinci / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 2011, Seracini e outros colegas receberam autorização para fazer pequenos furos no afresco de Vasari, o que causou controvérsia entre especialistas. Ao final, nada de concreto foi encontrado, apesar do homem dizer que sim.

Fragmentos de tinta que ele alegou ser usada por Da Vinci foram extraídos da parede, o que foi questionado por Fiorani, que explicava que o material era usado por muitos artistas da época; não havia nada de especial na descoberta.

Ainda assim, Maurizio insiste até hoje em sua hipótese. “O que há de errado em procurar uma obra-prima incrível e por que não podemos usar a ciência para obter uma resposta final?”, relatou em entrevista à ARTnews.

Enquanto o debate não tem uma resposta definitiva, o mundo continua a admirar as 24 pinturas conhecidas de Leonardo Da Vinci, e mantém esperança de que o Velho Mestre tenha escondido algumas outras por aí.


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