Como a História inspirou os super-heróis

Eles refletem, em maior ou menor grau, o mundo real que vivemos

segunda 26 fevereiro, 2018
Entenda a relação do primeiro super-herói negro com o mundo real que vivemos
Entenda a relação do primeiro super-herói negro com o mundo real que vivemos Foto:Reprodução / Marvel Comics

Desde Superman, criado para levantar o moral do povo americano durante a Grande Depressão, os super-heróis dominam o imaginário popular. Pode parecer que suas histórias sejam pura fantasia, mas eles refletem a era em que surgiram. Veja a seguir os heróis mais populares e suas inspirações no que estava acontecendo no mundo real.

1938 - SUPERMAN

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Primeiro super-herói dos quadrinhos, ele inaugurou a chamada Era de Ouro das HQs. O desemprego e a fome que atingiram os Estados Unidos nesse período fizeram a violência crescer a níveis assustadores. Essa angústia foi a deixa para o savlador alienígena da humanidade, sem quaisquer defeitos ou realis limites para seus poderes, que eram inventados conforme a necessidade — nem voar, ele voava, no começo. 


1939 - BATMAN

Também seguindo a onda de combate à violência, o primeiro herói mascarado, Batman, surge para aterrorizar os criminosos. Batman era um tanto nostáligico em não ser "super", algo dos quadrinhos da era pré-superman, como Dick Tracy. Nas primeiras histórias, usava armas e matava sem culpa.


1941 - CAPITÃO AMÉRICA

Mesmo antes de seu país ingressar no conflito, o Capitão América combatia os nazistas com um escudo em forma de diamante (só depois ficou redondo), um uniforme bandeiroso e a vontade férrea de dar fim aos inimigos da democracia. Sua primeira edição foi distribuída em dezembro de 1940, um ano antes de Pearl Harbor. A patriotada toda era demais para o pós-guerra e ele foi, literalmente, botado no gelo entre 1950 e 1964. Em 1973, diante do escândalo de Watergate, chegou a renunciar o patriotismo e assumir outra identidade.


1941 - MULHER-MARAVILHA

A primeira super-heroína fez sua estréia no mesmo mês em que os japoneses atacaram a base naval americana de Pearl Harbor, no Havaí, o que levou à entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra. Seu autor, William Moulton Marston, era uma figura incomum: vivia num relacionamento poliamoroso com duas mulheres, cada uma com dois filhos, e criou a super-heroína como um símbolo do que entendia do feminismo, a mulher "de uma nova era". Deu a ela um poder e uma fraqueza baseados no sadomasoquismo, um de seus interesses acadêmicos: o laço da verdade, que a torna indefesa se amarrada com ele (quase sempre por homens).


1961 - QUARTETO FANTÁSTICO

O Quarteto Fantástico inaugura a Era Marvel, na qual, em vez de aliens ou justiceiros mascarados, os heróis eram seres humanos comuns que adquirem superpoderes após exposição a raios cósmicos ocorrida num vôo espacial. No mundo real, Estados Unidos e União Soviética, em plena Guerra Fria, davam início à corrida espacial e os raios cósmicos eram a palavra do momento, em discussões sobre como afetaria os astronautas, se sobreviveriam à radiação no espaço. No mesmo 1961, em 12 de abril, o voo de Yuri Gagarin já havia provado que sobreviveriam.


1963 - X-MEN

Aqui, a nova geração de heróis já nasce superpoderosa, dotada de um fator mutante em seus genes que os torna odiados e perseguidos pela humanidade. São os X-Men, que sofrem na pele o preconceito racial que então dividia os americanos entre brancos e negros. É a época da luta dos Direitos Civis, e Martin Luther King e Malcolm X, líderes negros que polarizaram a cruzada pela tolerância racial nos anos 60. A metáfora é óbvia.


1963 - HOMEM DE FERRO

Em meio a Guerra do Vietnã, o milionário Tony Stark sofre uma lesão no peito enquanto inspecionava um armamento desenvolvido por sua empresa, a Stark Industries, no Vietnã do Norte. Forçado a construir uma armadura, foge com ela, e, se você viu o filme, é basicamente a mesma história que hoje se passa no Afeganistão. Segundo Stan Lee, o personagem foi criado para ser exatamente o oposto do espírito dos anos 60: um capitalista, fabricante de armas, herói individualista,  cujos inimigos são comunistas. A maior inspiração para Stark é o excêntrico milionário Howard Hughes, O Aviador interpretado por Leonardo di Caprio, que, entre outros negócios, fabricava armas. 


1966 - PANTERA NEGRA 

Outra ideia da era dos Direitos Civis, o personagem é o primeiro super-herói de descendência africana em qualquer editora grande nos EUA. A assoiação óbvia com o Partido dos Panteras Negras, organização maoísta na defesa do direito dos negros, é mera (e embaraçosa, na visão da Marvel então) coincidência. Estreando em julho de 1966, precedeu em dois meses o surgimento do Partido, em outubro. Com a má-fama dos Panteras Negras comunistas entre o público branco, a Marvel tentou desassociar o personagem do nome. Em uma participação especial no quadrinho 119 do Quarteto Fantástico (fevereiro de 1972), o seu nome foi alterado para "Leopardo Negro". Mas não colou. 


Imagens: Marvel Studios, Warner Brothers

Marco Moretti e Thiago Lincolins


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