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Teria a Rainha Vitória transmitido hemofilia para os Romanov?

Quando teve filhos, a monarca passou o gene doença hereditária para toda a sua linhagem. Mas como a condição chegou ao herdeiro de Nicolau II, o último czar da Rússia?

Pamela Malva Publicado em 17/07/2020, às 08h00

Retrato da Rainha Vitória por Heinrich von Angeli
Retrato da Rainha Vitória por Heinrich von Angeli - Wikimedia Commons

Eram raras as vezes que Alexei Romanov, o filho mais novo de Nicolau II da Rússia, se machucava. Constantemente cuidado pela mãe, Alexandra Feodorovna, o menino sequer saía de casa e, assim, nunca se acidentava.

Caso, durante a infância, ele caísse da cama ou de uma cadeira, no entanto, qualquer pequena ferida poderia ser fatal. Graças a hemofilia que foi diagnosticada quando o menino era bebê, o sangue dele não coagulava normalmente.

Dessa forma, se ele ralasse o joelho ou batesse o nariz em uma porta, os eventuais sangramentos poderiam acarretar em uma hemorragia intensa. Mas de onde o menino poderia ter contraído hemofilia, sendo que essa é uma enfermidade hereditária?

Em uma linha mais direta, Alexei herdou o genes da doença diretamente de sua mãe. Alexandra, por sua vez, recebeu a mutação de uma monarca imponente, que acabou disseminando a enfermidade por sua linhagem: a Rainha Vitória.

Retrato da Rainha Vitória já em idade avançada / Crédito: Wikimedia Commons

 

Bomba relógio

Portadora dos genes da hemofilia desde o seu nascimento, Vitória passou a doença para todos os seus descendentes quando os concebeu. Por isso, inclusive, a enfermidade ficou conhecida como doença real entre os séculos 19 e 20.

Como se não fosse o suficiente que muitos dos herdeiros britânicos da rainha fossem portadores de hemofilia, a doença se espalhou ainda mais. Tudo aconteceu quando os filhos de Vitória começaram a se casar com descendentes de outras coroas.

De forma geral, a Rainha Vitória passou o gene da hemofilia para um de seus filhos e para duas de suas herdeiras. Os jovens, por sua vez, introduziram a enfermidade para as famílias reais da Rússia, da Espanha e da Alemanha.

Rainha Vitória e alguns de seus herdeiros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Doença da monarquia

Enquanto as princesas Alice e Beatrice, filhas de Vitória, não manifestaram os sintomas da doença — que costuma afetar os homens com maior frequência —, o príncipe Leopoldo, foi o primeiro da família a demonstrar ser portador da doença. 

Como oitavo filho da monarca, o menino cresceu em casa, sem poder se divertir com seus irmãos. Fábulas contam que, de tão preocupada, Vitória visitava o quarto do garoto todas as noites, para lhe dar boa noite com um beijo terno.

Em 1872, foi a vez do neto da rainha, Frittie, filho de Alice, manifestar os primeiros sinais da doença. Ele tinha apenas dois anos. Assim aconteceu com diversos descendentes da monarca, inclusive com Alexandra Feodorovna e Alexei.

Pintura de Vitória ainda na juventude / Crédito: Wikimedia Commons

 

Condição real

Por anos, a grande maioria dos descendentes homens da rainha que portavam a hemofilia morreram bastante cedo. Isso porque, segundo testes feitos nos restos da Família Romanov, a linhagem foi acometida pela Hemofilia B, uma das versões mais ferozes da enfermidade.

A condição genérica apenas desapareceu da árvore genealógica de Vitória quando os herdeiros deixaram de se casar com os próprios primos. Hoje, nenhum membro vivo da linhagem é conhecido por apresentar sintomas de hemofilia.

Ainda mais, acredita-se que o gene também não é mais transportado pelos membros da família da monarca. Dessa forma, é praticamente impossível que a Rainha Elizabeth II, herdeira direta de Vitória, por exemplo, seja portadora de hemofilia.

Rainha Vitória já com a sua coroa / Crédito: Wikimedia Commons

 

Filha bastarda

Foi exatamente o gene hemofílico da Rainha Vitória que gerou uma das maiores dúvidas sobre da monarca na história. Para William e Malcolm Potts, dois respeitados cientistas britânicos, é possível afirmar, a partir da doença, que a nobre líder, na verdade, era uma filha ilegítima.

Segundo foi publicado pela Folha em 1995, quando o estudo dos irmãos foi publicado, nenhum dos ancestrais da monarca era hemofílico ou portava o gene da doença. Assim, era impossível que Vitória apresentasse o gene da enfermidade.

Duas explicações, então, foram erguidas. A primeira delas sugere que ou o pai, ou a mãe de Vitória sofreu uma mutação genética. A segunda, mais polêmica, teoriza que a mãe da monarca teve uma relação extraconjugal — isso porque o gene da hemofilia é transportado pelo cromossomo X, concedido ao bebê apenas pela mãe.

Se os cientistas estivessem certos e Vitória realmente tenha sido uma filha ilegítima, ela não poderia ter assumido o trono britânico. Assim, a própria Rainha Elizabeth II não seria a monarca da Inglaterra atualmente.


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