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Traições e amores mercenários: a vida íntima de Getúlio Vargas

Com fama de mulherengo, Vargas teve inúmeros affairs enquanto era casado com Darci Vargas, a primeira-dama

Vanessa Centamori Publicado em 12/05/2020, às 09h57

Getúlio Vargas e esposa, dona Darci Vargas
Getúlio Vargas e esposa, dona Darci Vargas - Divulgação

A ex-vedete Virgínia Lane, que faleceu em 10 de fevereiro de 2014, contava em vida muitas histórias picantes sobre seu romance com Getúlio Vargas. Em entrevista ao Jornal Extra, dada aos seus 92 anos de idade, ela criticou a performance do chefe de estado no sexo. "Na cama, ele não era grande coisa. Como era baixinho, não chegava lá. Getúlio era bom mesmo de língua, sabia beijar muito bem. Era a especialidade dele", afirmou. 

Segundo Lane, o seu affair com Vargas floresceu a partir de 1935, quando ele já era casado e a viu em um churrasco vestindo saia curta e bota. "Eu era bonita, ele ficou olhando. Mas o namoro começou mais para frente, quando eu já estava com uns 19 anos", afirmou a senhora, em entrevista concedida à Aventuras na Hitória, naquele que seria seu último ano de vida.

Virgínia Lane, que viveu um romance com Getúlio Vargas / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Segundo Virgínia, a família Vargas sabia do romance que ela nutria com o presidente - isso não era novidade até mesmo para a a mulher dele, dona Darci. A ex-vedete foi inclusive visitar a primeira-dama, quando a dona estava muito doente. "Ela disse: 'Virgínia, seja feliz e cuide bem de Getúlio' ", relatou Lane. 

A amante, cujas pernas fascinavam Vargas, contou ainda que o líder político era bastante romântico: dava-lhe presentes e "gostava de uma serenata", ao ponto de contratar artistas para realizá-las. "E cantava junto, mas mal", lembrou. "Ele não tinha isso de dar brilhante, automóveis, nada disso. Era um homem que mandava flores. Sabia que eu adorava orquídeas".  

A esposa do amigo  

O belo par de pernas de Virgínia não foi único que enlouqueceu Getúlio, durante seu casamento com a dona Darci. Com enorme fama de mulherengo, o político conheceu também a paranaense Aimeé Lopes, em 17 de abril de 1937, quando ele já completara bodas de prata no seu casamento com a primeira-dama.

Aimeé Lopes, que teve um affair com Getúlio Vargas / Crédito: Divulgação 

 

Getúlio não resistiu à Aimeé, que também era casada - e detalhe: com o amigo do presidente. A moça era esposa do oficial de gabinete Luiz Simões Lopes, que mais adiante viria a presidir a Fundação Getúlio Vargas por quase cinco décadas. 

Em seu diário, Vargas fez cerca de 20 citações à Aimeé. Em uma delas, ele fala de uma "ocorrência sentimental de transbordante alegria” e se demonstrava aparentemente apaixonado.

Porém, segundo a obra Os Tempos de Getúlio Vargas, do escritor José Carlos Mello, o presidente saiu dessa relação com o coração partido. "Aimeé não o amou. Na sua juventude tinha fascínio por ser amante da autoridade máxima do País”, contou o autor, segundo informações do site da Revista IstoÉ. “Ela não queria se casar, ter filhos, pretendia uma vida livre não compatível com a sociedade da época.”

A princípio, a paixão entre Vargas e Aimée durou um tempo, com os dois cavalgando e caçando em bosques. O romance, que se alongou mais ou menos até 1938, terminou por iniciativa da própria paranaense, que resolveu ficar solteira e abandonou tanto o amante quanto o marido. 

Getúlio Vargas / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Fugidinhas 

Ainda segundo a obra de José Carlos Mello, Getúlio Vargas tinha um braço direito infalível chamado Iedo Fiúza, que foi prefeito de Petrópolis. Era seu cúmplice para escapar e se encontrar com várias mulheres. 

“Fiúza sabia onde estavam os melhores endereços para trazer calma ao presidente, conhecia as mais discretas garçonnières da cidade”, escreveu o autor. As puladas de cerca, segundo ele, ocorriam à noite ou no meio da tarde e as amantes até tinham o nome especial de "amores mercenários", dado pelo próprio Vargas. 

A desculpa mais frequente para que ele fosse ao encontro das damas era que ele estaria saindo para uma "inspeção a obras rodoviárias". Dona Darci, enquanto isso, demonstrava seu ciúme ocasionalmente e viu o declínio do seu primeiro e único casamento. 

A união matrimonial com a primeira-dama tinha sido feita precocemente, quando ela tinha apenas 15 anos de idade, e Vargas, 28. Como fruto do casório, nasceram cinco filhos: Lutero, Jandira, Alzira, Manuel e Getúlio Filho.

Vargas e Darci , em junho de 1911 / Crédito: Wikimedia Commons 

 

A morte e a versão da amante 

Porém, não foi a esposa e sim a primeira das amantes, Virgínia Lane, que relatou supostos bastidores dos últimos momentos do líder de estado. Segundo informações da Folha de S.Paulo, Lane disse à Rádio Globo que estaria no Palácio do Catete, nos lençóis da cama de Vargas, pelada, quando ele teria sido assassinado - a principal versão dessa história, no entanto, é que ele cometeu suicídio. 

Virgínia Lane / Crédito: Divulgação/Youtube 

 

Lane discorda dos historiadores e jornalistas e diz que testemunhou quando quatro homens entraram pela janela e mataram Getúlio. O presidente teria solicitado à mulher que jurasse nunca contar que fora morto.

Depois, chamou supostamente o guarda-costas, Gregório Fortunato, para que tirasse Virgínia dali. Ela teria caído logo em seguida no jardim do palácio, dois andares abaixo, nua, como estava na cama.

Mas, claro, essa história de tom bem fantasioso tem vários furos, como o fato de serem quatro supostos assassinos. Não foram achadas dezenas de balas, como se esperaria pelo número de criminosos, mas sim, apenas uma.

Essa foi encontrada pela polícia - no peito de Vargas, evidenciada por um buraco no paletó do pijama. Em 24 de agosto de 1954, o presidente morreu cercado de polêmicas - e sua vida intima foi sem dúvida uma delas. 


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