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Traições, superstições e orgulho: a vida íntima de Maria Bonita

Primeira mulher cangaceira, ela vivia ao lado de Lampião em uma relação cheia de ciúmes, desapontamentos e crueldade

Pamela Malva Publicado em 07/06/2020, às 11h00

Maria Bonita já no cangaço, com suas joias e roupas caras
Maria Bonita já no cangaço, com suas joias e roupas caras - Divulgação

Aos 15 anos, Maria Gomes de Oliveira sequer ousava imaginar o que seria de seu futuro. Vivendo no sertão nordestino, a menina cresceu ao lado da mãe e, aos 15 anos, casou-se com seu primo sapateiro.

O relacionamento era, para dizer o mínimo, conturbado. Maria sofria em um matrimônio infiel e bastante precoce. Sem as perspectivas de viver uma vida normal, ela mesma deixou de ser um exemplo de esposa.

Filha de Déa, a jovem menina caminhava pelo sertão baiano e, à noite, esperava por um marido que tardava a voltar. Constantemente traída, Maria apanhava sempre que contestava as atitudes adúlteras do esposo sapateiro.

Talvez por vingança, talvez por vontade ou por sua auto-estima, a garota passou a trair o marido com a mesma frequência que ele o fazia. Um dia, o matrimônio em si entrou em perigo quando Virgulino Ferreira da Silva entrou na equação.

Maria Bonita com suas joias e roupas estampadas / Crédito: Divulgação

 

Uma menina cangaceira

Frustrada com sua vida até então, Maria se iluminou quando conheceu o Lampião. Famoso internacionalmente, ele era o maior cangaceiro que o mundo já vira. E ela era uma mulher de personalidade forte. Sabia o que queria.

Durante todo o ano de 1929, então, Lampião visitou sua namorada jovem, prendada e abusada. Apesar de manter relacionamentos com outras mulheres, o cangaceiro sabia que se juntaria com Maria. Dito e feito. Ela entrou para o cangaço por vontade própria e, assim, os dois passaram a viver maritalmente.

Entre o bando, Maria começou a ser chamada de Maria da Déa, ou Maria do capitão. Dona de cabelos e olhos castanhos, coxas grossas, nariz e lábios finos e pés grandes, a nova cangaceira aprendeu cada lei do bando.

Maria Bonita ao lado de outros cangaceiros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Atrativa e ousada

Diferente de todas as outras mulheres do bando, Maria nunca foi abusada pelos cangaceiros e tinha diversas regalias. Andava com joias caras; enfeites, moedas e medalhas de ouro decoravam seus cabelos. No pescoço e nos pulsos, usava o mesmo perfume francês que Lampião.

Uma vez instalada nos acampamentos do cangaço, Maria andava com vestidos de seda, luvas com estampas florais e, nos pés, sandálias ou botas de cano curto. Ao lado do marido, no entanto, vestia botas de couro e roupas de algodão.

No dia-a-dia, Maria ignorava o fato de que seu companheiro, chefe dos cangaceiros, abusava e estuprava mulheres todos os dias. Noites em bordéis, por exemplo, eram um dos programas preferidos dos cabras.

Maria Bonita com os adereços de cangaceira / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sexo e superstição

Quando o assunto era fazer sexo com as próprias cangaceiras, os homens tinham algumas exigências e rituais. Maria não poderia deitar-se com Lampião às sextas-feiras, por exemplo. O ato também não era permitido nas vésperas da mudança para um novo esconderijo.

Antes de qualquer ato sexual, entretanto, as mulheres deviam se banhar. Uma porção de água era guardada apenas para que elas fizessem a limpeza íntima. Em um movimento contrário, os homens, por vezes, até transmitiam doenças adquiridas em cabarés.

Agora, quando o sexo realmente acontecia, as superstições eram levadas muito a sério. Na noite do ato, os cangaceiros tiravam seus colares de orações. Lampião mesmo carregava oito deles — além de um crucifixo de ouro puro.

Dadá, Lampião e Maria Bonita, respectivamente / Crédito: Wikimedia Commons

 

A vida com Lampião

Enquanto Maria da Déa tinha constantes crises de ciúmes de Lampião, o cangaceiro trava sua esposa com paciência e um certo carinho. Em 1931, inclusive, os dois viajaram para uma fazenda, a fim de desfrutar da lua de mel que nunca tiveram.

Para a jovem cangaceira, no entanto, aquilo não era o suficiente. Diversos relatos afirmam que Maria desenvolveu uma relação adúltera com João Maria de Carvalho, um comerciante. Do amante, ela ganhava sapatos, roupas e outros presentes.

Logo depois de sua lua de mel, Maria da Déa engravidou. Expedita nasceu e, sob as regras do cangaço foi entregue à um casal de fazendeiros. Saudosa pela filha perdida, Maria amarrou um pano em seus seios cheios de leite para que eles não vazassem.

Complacente com a lógica do cangaço, Maria viveu por mais sete anos ao lado de Lampião. Em julho de 1938, então, assistiu a vida de seu esposo ser arrancada pela polícia e foi morta logo em seguida, aos 28 anos. Nessa hora, com a cabeça separada do corpo, recebeu o apelido de Maria Bonita.


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