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Trono de mentiras: a corrupta corte de Kalākaua, o último Rei do Havaí

Governante do arquipélago entre 1874 e 1891, o líder foi responsável por diversos avanços, mas também se envolveu em crimes milionários

Pamela Malva Publicado em 05/04/2020, às 10h00

Kalākaua, o último Rei do Havaí
Kalākaua, o último Rei do Havaí - Wikimedia Commons

Pouco tempo depois da colonização britânica no Havaí, em janeiro de 1778, o líder indígena Kamehameha resolveu tomar providências. Assim, em 1782, ele deu início a uma guerra territorial que duraria 13 anos.

Ao final do conflito, o guerreiro havaiano conseguiu unificar todas as ilhas do arquipélago e instituiu uma monarquia absolutista no novo país. Assim, entre 1795 e 1874, a dinastia Kamehameha ocupou o trono.

A família de nobres só foi deposta em 1850, quando o rei Kamehameha V morreu, sem qualquer herdeiro. Dessa forma, William Charles Lunalilo, primo do antigo rei, assumiu o posto através de uma votação legislativa.

O reinado de Lunalilo, entretanto, acabou quando ele morreu, em 1874. Com o trono vazio novamente, outra eleição foi feita. Dessa vez, o escolhido para a posição de monarca foi Kalākaua, o chefe militar do Havaí.

Kamehameha, o primeiro rei do Havaí / Crédito: Wikimedia Commons

 

Trono de ouro

Uma vez no poder, Kalākaua deu início a uma era de prosperidade nunca vista antes no arquipélago. Como líder, o monarca conquistou seu povo e assinou o Tratado de Reciprocidade, expandindo relações comerciais com os Estados Unidos, em 1875.

Pensando na população, o Rei ainda incentivou a cultura havaiana, como a dança hula, e defendeu um Havaí para havaianos. Kalākaua também viajou pelo mundo, com a desculpa de estreitar relações políticas com outros países.

Durante a turnê, entretanto, ele gastou uma grande quantia de dinheiro público e entrou no radar desconfiado de outros políticos. Tudo piorou com sua coroação extravagante, em 1883. Com isso, Kalākaua passou a ser suspeito de corrupção.

A confirmação de corrupção veio depois de um decreto de licenciamento de ópio. Assinado pelo rei, o documento previa que a venda e distribuição da droga deveriam ser restringidas e sob a condição de uma licença governamental.

Frente à nova lei, um distribuidor de ópio chamado Aki decidiu pagar uma quantia de 71 mil dólares ao rei, em troca de uma licença. Mesmo no trono, todavia, Kalākaua não conseguiu a permissão e, por vingança, o esquema corrupto foi desmascarado por Aki.

Kalākaua, o rei corrupto do Havaí / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim amargo da monarquia

Em 1887, o reinado já abalado de Kalākaua sofreu mais um choque, quando a Liga Havaiana o convenceu a assinar uma nova constituição. Apelidado de Constituição da Baioneta, o novo texto garantiu ainda mais poder aos empresários ricos do país.

Com o documento aprovado, a Liga Havaiana, composta por tais empresários, restringiu o direito ao voto dos cidadãos e afastou todo e qualquer poder do Rei. Com medo de um golpe fatal, Kalākaua apoiou a Constituição.

Em 1891, o rei morreu, coroando sua irmã mais nova, Liliuokalani, como a última rainha do Havaí. Dois anos mais tarde, um golpe orquestrado por tropas norte-americanas, alemãs e britânicas depôs a rainha e pôs um ponto final na monarquia havaiana.


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