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Tutan-Alan: o homem que escolheu ser mumificado com técnicas tradicionais do Egito Antigo

Seguindo os passos usados com os restos do Faraó Tutancâmon, o taxista aposentado topou virar uma múmia quando viesse a óbito

Caio Tortamano Publicado em 07/03/2020, às 06h00

Alan já mumificado
Alan já mumificado - Divulgação/ Channel 4

A vida não parecia ter muito mais o que oferecer a Alan Billis, aos 61, o ex-taxista morreu ao lado da família vítima de um câncer terminal em seu pulmão. Porém, anos antes de morrer, viu um anúncio em um jornal pedindo por voluntários. Ele havia comprado a ideia de ser mumificado.

O processo seguiu a receita egípci original, e foi o primeiro caso documentado em 3.000 anos. A busca do grupo de pesquisadores gerou muita controvérsia, pois os procedimentos seriam gravados para um documentário.

Para Alan, a decisão não chegou nem sequer a ser um grande problema. Cético quanto a vida após a morte, ele quis deixar algo memorável para que seus netos lembrassem dele. Sua esposa, Jan, afirmou no documentário que seu marido era completamente indiferente quanto à morte, explicando que não era religioso de nenhuma maneira.

Stephen Buckley foi um dos especialistas que participaram da mumificação. Ele passou 19 anos de sua vida estudando os métodos de mumificação usada no Antigo Egito. A primeira coisa que fizeram com Billis após sua morte foi cobrir sua pele com óleo, e depois passou um mês imerso em sal para desidratar.

Alan e sua mulher, Jan, antes de falecer / Crédito: Divulgação/ Channel 4

 

Assim como os familiares egípcios deixavam tributos junto ao corpo de seus falecidos, a esposa de Alan deixou com ele desenhos de seus netos e fotografias de momentos bons. Em seguida, ele foi enrolado em tecido para proteger da luz e de animais decompositores.

O patologista forense Peter Vanezis, que também fez parte do documentário, afirmou que, pela aparência e textura da pele do taxista, ele tinha sido mumificado corretamente e de forma bem-sucedida.

A mumificação ocorreu na Universidade de Sheffield. Jan foi questionada de qual seria o destino do corpo depois que o procedimento (que durou cerca de 3 meses até o seu fim) terminasse, ela somente pediu para que o corpo não retornasse para sua casa.

Atualmente, o cadáver mumificado de Alan está no Museu Gordon de Patologia, em Londres, considerado o maior museu médico do Reino Unido. O destino atendeu uma suposição da mulher, que acredita que seria a coisa que ele mais iria querer que fizessem com o corpo mumificado.


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