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Curiosidades / Brasil

Um rei no Brasil Império: Como era a vida dos fazendeiros no Vale do Paraíba

Segundo narradores da própria região cafeeira, os barões e viscondes da época tinham costumes bastante característicos

Mary Del Priore Publicado em 27/06/2021, às 10h00

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Pintura de Fazenda de Café do Vale do Paraíba - José Rosael/ Hélio Nobre/ Museu Paulista da USP
Pintura de Fazenda de Café do Vale do Paraíba - José Rosael/ Hélio Nobre/ Museu Paulista da USP

No primeiro período da expansão cafeeira, o movimento de investimento em terra e cativos para trabalhar na lavoura de café foi intenso. O viajante e naturalista Saint-Hilaire ao passar pelo Vale da Paraíba, em 1822, reproduziu um diálogo com um residente na área, sobre o emprego dos lucros com o ouro verde.

Perguntado sobre o destino do dinheiro, o interlocutor respondeu: “O senhor pode ver que não é construindo boas casas e mobiliando-as. Comem arroz e feijão. Vestuário também lhes custa pouco e nada gastam com a educação dos filhos, que se entorpecem na ignorância, são inteiramente alheios aos prazeres da convivência [...] é, pois, comprando negros que gastam toda a renda”.

De fato, esses eram tempos cujo lema era enriquecer. E a marca, a rusticidade. A civilidade ainda não tinha se instalado entre boa parte dos fazendeiros. Boas maneiras, nem pensar. O hábito de estar mal ou pouco vestido era generalizado até na hora das refeições: tiravam-se sapatos, meias e “peças que o calor tornasse opressivas e, nalguns casos, guardando apenas o traje que a decência requer”, reportou o inglês John Luccok. Quando as mulheres estavam presentes, guardavam um pouco mais de decoro.

A vida era marcada por horários rígidos. Em suas memórias, o Visconde de Araxá, Domiciano Leite Ribeiro, falou dos costumes dos fazendeiros da região. Levantavam-se com as galinhas e entravam logo na labutação doméstica até o escurecer.

Retrato de Augusto de Saint Hilaire / Crédito: José Rosael/ Hélio Nobre/ Museu Paulista da USP

“Almoçavam às oito da manhã, jantavam à uma da tarde, à noite rezavam o terço e metiam-se logo na cama depois de tom