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'Uma manhã nos portões do Louvre': Mensagem radical em um quadro conservador

Criada por Édouard Debat-Ponsan, a obra retrata o Massacre do Dia de São Bartolomeu, ocorrido em agosto de 1572

Redação Publicado em 25/07/2021, às 10h00

Imagem da obra de Édouard Debat-Ponsan
Imagem da obra de Édouard Debat-Ponsan - Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

Este não é um quadro que vai aparecer em aulas de História da arte. Na era do impressionismo, Édouard Debat-Ponsan era um pintor acadêmico. Isto é, fazia pinturas como antigamente, realistas e sobre grandes temas, enquanto a vanguarda pintava cenas do cotidiano em pinceladas fortes e distorcidas, como Manet, Degas e Renoir.

Esses artistas mais modernos chamavam o estilo de L’art pompier, a arte do bombeiro, por causa da semelhança entre os elmos gregos, tema constante dos acadêmicos, e os usados pelos bombeiros parisienses. O tema é o Massacre do Dia de São Bartolomeu, na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1572.

Incitada por uma ação de repressão do governo, a maioria católica da cidade atacou casas e estabelecimentos de protestantes, assassinando, saqueando e estuprando. O movimento se espalhou e, no total, 30 mil protestantes franceses foram exterminados. O estilo do quadro pode ser conservador, mas a mensagem está longe disso. Debat-Ponsan decidiu resgatar o passado por ter sido testemunha de cenas semelhantes.

Em 1871, após a queda do imperador Napoleão III, um grupo radical não aceitou a autoridade da nova república. Era a Comuna de Paris, que foi brutalmente reprimida, deixando as ruas coalhadas de corpos — como na época de Catarina de Médici. A ideia é que o poder moderno e secular pode agir de forma tão cruel e irracional quanto fanáticos religiosos do passado.

1. Rei sem poder

Detalhe da obra de Édouard Debat-Ponsan / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Carlos IX tornou-se rei em 1860, com só 10 anos. Até ser declarado maior, aos 13 anos, sua mãe, Catarina, governou como regente. Mas ninguém acreditava que ela realmente tivesse largado o poder, e consideravam o rei como nada mais que uma marionete. No quadro, rei e rainha são figuras secundárias. Na vida real, ele assumiu a responsabilidade pelo massacre e morreu, menos de dois anos depois, transtornado pela culpa.


2. A fortaleza

O Louvre era um castelo medieval que estava sendo modernizado e expandido já havia três décadas, transformando-se no grande palácio renascentista que hoje abriga o museu. O Rei Luís XIV mudaria a residência real para Versalhes em 1682, deixando o antigo prédio como o centro administrativo do governo.


3. Os carrascos

Detalhe da obra de Édouard Debat-Ponsan / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

A Guarda Suíça era um grupo de mercenários que vendia seus serviços a monarcas de diversos países — inclusive ao papa, que mantém o último remanescente da organização hoje em dia, com uniformes quase idênticos. Eles serviam na França desde 1490 e, obviamente, na época suas armas não eram cerimoniais. Foram eles que receberam a ordem de executar os líderes protestantes, dando início ao massacre.


4. A vilã

A florentina Catarina de Médici, chegando ao trono francês por casamento, só governou oficialmente entre 1560 e 1563. Mulher, estrangeira, católica e ambiciosa, era uma figura impopular que foi, por séculos, considerada a mandante do massacre. O consenso hoje é que a ação partiu de seu filho, e a intenção era só acabar com líderes políticos, não com a população protestante inteira.


5. Os algozes

Detalhe da obra de Édouard Debat-Ponsan / Crédito: Domínio Público/ Creative Commons/ Wikimedia Commons

 

Por séculos se discutiu se o massacre foi premeditado pela realeza ou um momento de histeria coletiva. O rei ordenou a execução dos líderes huguenotes, que, acreditava-se, estavam prestes a dar um golpe. O povo assumiu daí para a frente, incluindo na “lista” todos os protestantes, mulheres e crianças. Entre 2 mil e 5 mil pessoas morreram só em Paris, com o total podendo chegar até a 30 mil na França inteira.


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