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Uma tradicional camponesa árabe: a real origem da Estátua da Liberdade

Criado por Frédéric Bartholdi, o cartão postal de Nova York foi inspirado em um projeto inédito do próprio escultor francês

Pamela Malva Publicado em 20/03/2021, às 11h00

Fotografia da icônica Estátua da Liberdade
Fotografia da icônica Estátua da Liberdade - Wikimedia Commons

Em meados de 1876, a fim de comemorar o centenário da independência dos Estados Unidos, a França decidiu presentear o país com algo inusitado. Com a ajuda do escultor Frédéric Bartholdi, ergueu-se, então, um dos maiores monumentos da atualidade.

Considerada um símbolo de liberdade e democracia, a Estátua da Liberdade funciona quase como uma porta de entrada para o estado de Nova York. Poucos sabem, contudo, a verdadeira história por trás de um dos maiores cartões postais do mundo.

Com cerca de 93 metros de altura, a Estátua da Liberdade foi inaugurada em outubro de 1886 e, segundo Edward Berenson, acadêmico da Universidade de Nova York, foi inicialmente inspirada na imagem de uma camponesa árabe.

Imagens da Estátua da Liberdade em um jornal da época e gravura do monumento / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um projeto no papel

Em entrevista publicada na BBC em meados de 2017, o professor explicou que, apesar de desconhecida, a história da Estátua da Liberdade é muito mais extensa do que parece. De acordo com o historiador, ela foi baseada nos moldes do Colosso de Rodes.

Acontece que, durante o século 19, antes de ser convidado para a criação da Estátua da Liberdade, Frédéric Bartholdi fazia parte da equipe que desenvolveu o projeto de um monumento que deveria celebrar a abertura do Canal de Suez, no Egito.

Vestida com trajes tradicionais da cultura árabe, essa primeira estátua seria erguida “na entrada do canal, segurando uma tocha sobre sua cabeça”, segundo explicou Berenson, ao programa de rádio The World, filiado da BBC. O problema é que, apesar de aprovado, o projeto da estátua, inspirado no Colosso de Rodes, nunca foi colocado em prática.

Imagem do Colosso de Rodes, que já foi uma das Sete Maravilhas do Mundo / Crédito: Divulgação/Hulton archive

 

Adaptações

Anos mais tarde, conforme a comemoração do centenário da independência dos EUA se aproximava, Bartholdi foi convocado para criar um novo monumento. Assim, ele decidiu que iria reutilizar a antiga ideia que acabou sendo esquecida pelos egípcios.

Com os desenhos de sua primeira criação em mãos, Frédéric adaptou as vestes árabes e transformou a antiga camponesa em uma deusa greco-romana. Ainda assim, de acordo com Robert Belot e Daniel Bermond, ambos biógrafos do artista, o escultor afirmava que sua célebre Estátua da Liberdade é uma obra completamente original.

Para Berenson, autor de um livro sobre o monumento, todavia, o artista francês sempre soube que a imagem de uma mulher árabe em plena Nova York não seria bem aceita pelos norte-americanos. "E se uma imagem ocidental já era controversa, o uso de uma personagem oriental poderia ter feito o projeto ser rejeitado totalmente”, teorizou.

Minhaturas usadas por Bartholdi para criar o projeto da estátua no Egito / Crédito: Divulgação/James W. Todd

 

Liberdade e solidariedade

Muito além da suposta controvérsia relacionada à nacionalidade da mulher na obra, especialistas afirmam que a versão original da estátua segurava uma corrente junto da tocha. O que, segundo Berenson, poderia fazer referência à abolição da escravidão.

A fim de criar uma imagem menos polêmica, entretanto, optou-se por retirar as correntes das mãos da mulher. Ainda assim, o símbolo da liberdade foi colocado aos pés da representação, no mesmo pedestal que leva versos do poema de Emma Lazarus.

Com as orações “Dê-me seus cansados, seus pobres/Suas massas ansiosas por respirar em liberdade”, então, a Estátua da Liberdade carrega uma mensagem de solidariedade e acolhimento — que também acabou sendo interpretada como um símbolo de esperança para os imigrantes, que veem o monumento como um tipo de farol no Oceano Atlântico.


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