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Vikings estão longe de ser modelo de pureza racial escandinava

Você sabia que Viking nem é uma categoria étnica? E que os escandinavos não eram vikings? Entenda!

André Nogueira Publicado em 09/08/2019, às 09h00

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- Crédito: Reprodução

Muitas pessoas associam à cultura Viking um atributo de pureza racial branca. Assim como pensam em homens grandes e barbudos, bêbados e de capacete com chifres. Diversos mitos circundam a figura desses seres, mas um pouco de história é capaz de vê-los para além desses estereótipos.

A primeira questão é a incompatibilidade entre Escandinavo e Viking, palavras usadas como sinônimos. Viking é uma palavra que remete à Idade Média e não aponta para os povos do Norte, simplesmente.

Na época, o termo tinha um sentido próximo ao que hoje é o pirata: designação que aponta para uma ação, não uma origem. Viking era o navegador dos mares, que em grupo navegava para lugares distantes com intuito de comércio, exploração e pilhagem. Esta definição está longe de abranger a maioria dos escandinavos, camponeses e criadores de animais que se mantinham em suas terras.

Os Vikings atingiram os mais distantes portos comerciais. Hoje sabemos que eles foram do Canadá ao Oriente Médio, entrando em contato com uma diversidade de culturas e etnias. E nessas viagens não há relato de esforços para aniquilar qualquer cultura estrangeira. Pelo contrário: eles interagiam e aprendiam com quem encontrassem, e os ingleses tentavam impedir que seu povo fugisse junto a eles.

Longe de defenderem uma supremacia branca, essas pessoas buscavam aprimoramento técnico e mistura cultural.

Dacar viking / Crédito: Wikimedia Commons

 

Mesmo assim, existe uma substância na categoria Viking. Afinal, ela é uma identidade utilizada até hoje. Porém, na época em que essas pessoas navegavam pelos mares, o nome envolvia dois núcleos principais: uma ação em comum (ofício da navegação, comércio marinho, guerra, etc.) e uma série de formas estéticas e técnicas (tipos e formas do barco, imagens comuns nos objetos, etc.). Ou seja, para os próprios vikings, Viking não era uma identidade étnica, mas afinidade grupal.

Mas afinal, como surgiu a imagem de Viking que conhecemos?

Mesmo os vikings não sendo uma identidade étnica e não existindo um DNA viking, essa é a imagem que a maioria das pessoas conhece. Isso acontece porque, na formação dos Estados Nacionais da Escandinávia moderna, países como Suécia, Noruega e Dinamarca se consolidaram com base em mitos que, sem veracidade histórica, faziam parte de um imaginário criado para gerar alianças sociais a nível nacional.

Assim como o Brasil fez com os indígenas tupis ou os italianos com os romanos latinos, os escandinavos partiram de uma figura do passado distante e criaram um mito. Para um viking do século IX, noções como nação, país ou mesmo etnia não faziam sentido.

Gravura onde aparece o símbolo Valknut / Crédito: Viking Front

 

Grande parte do peso que o mito do Viking tem hoje em dia também se origina no racismo europeu do século 19 e nas ideologias de supremacia branca, sustentadas numa noção de pureza racial onde os vikings, supostamente resultado biológico da união de povos germânicos no Báltico, seriam a cultura mais elevada. Tudo bobagem.