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Vison, chinchila e raposa: A história dos polêmicos casacos de pele

Hoje alvo de debates intensos, o uso da pele de animais nas vestimentas é mais antigo que os Homo Sapiens

Redação Publicado em 29/08/2021, às 08h00

Imagem meramente ilustrativa de Neandertais
Imagem meramente ilustrativa de Neandertais - Imagem de David Mark por Pixabay

É possível que grande parte dos leitores de Aventuras na História seja contrária à ideia de usar peles de animais como casacos ou acessórios. A oposição, no entanto, é ideia recente, surgida nos anos 1980 e, principalmente, 1990, com os protestos de entidades contrárias ao tratamento cruel dos animais. Tais campanhas, é fato, diminuíram o charme das vestimentas de pele, mas o fascínio que elas exercem ainda resiste.

O ser humano vem usando peles de animais, como abrigo contra o frio, antes mesmo de ser efetivamente humano. Pesquisas mostraram que hominídeos, entre eles os neandertais, já usavam pele de animais para se aquecer. O hábito, pelo que diz a Bíblia, parece ter recebido até mesmo a bênção de Deus.

Segundo o Gênesis, depois de Eva morder a maçã e se cobrir com as folhas da figueira, ela ganhou roupas de pele. De acordo com a Bíblia, isso teria sido um ato divino: “E fez o Senhor Deus a Adão e a sua mulher túnicas de couro”. O uso de peles parecia natural.

Antes do desenvolvimento dos tecidos, a pele era a única matéria-prima disponível para confeccionar roupas e cobertas. Enquanto os homens caçavam, as mulheres ficavam responsáveis por tarefas domésticas, entre elas, descobrir como deixar a pele in natura mais maleável para o uso. Com o tempo, as peles iriam ganhar um novo status.

Primeiro eram vistas como fetiches capazes de transmitir, para aqueles que as vestiam, as melhores características do animal ao qual pertenciam. Caçadores ou guerreiros vestidos com uma pele de leão ganhariam, por contato, a força e a coragem leoninas — Hércules portando a pele do Leão da Nemeia é um exemplo clássico.

Mas a facilidade em manusear e moldar peles e sua beleza só aumentavam o prestígio desse tipo de vestimenta. Talvez por isso, passaram a ser as preferidas da nobreza. Chegouse mesmo a proibir outras classes sociais de usá-las.

Imagem meramente ilustrativa de casacos de pele / Crédito: Getty Images

 

Um decreto real francês de 1294, por exemplo, determinava que nenhum homem ou mulher não nobre poderia usar peles de arminho ou de esquilo, que eram reservados à aristocracia. Nessa época o uso de peles começou a tornar-se mais versátil.

As primeiras aplicações eram como forro de capas e acabamentos. Nos séculos 11 e 12, chapéus, principalmente feitos com pele de castor, se tornariam uma febre. Em seguida viriam pesados chapéus de pele, luvas, e colarinhos. O uso de peles já não era uma reserva de mercado para os nobres.

O casaco de pele, como é usado hoje, surgiu no final do século 19, na Inglaterra vitoriana, e trouxe uma novidade: era elegante usar a pele ostensivamente do lado de fora das vestimentas, já que até então elas eram principalmente forro das roupas.

A pele passaria a ter o mesmo efeito de uma joia. Ícone de luxo. Logo foi capturada como elemento de elegância, pelas principais maisons de altacostura, como Chanel e Christian Dior, sobretudo nos anos 1950.

Agora, eram peças informais, inovadoras, que exploravam novas técnicas de produção. A lista de mulheres que ajudaram a perpetuar essa ideia é imensa e incluía rainhas, a estilista Coco Chanel e atrizes norte-americanas, como Marilyn Monroe.


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