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Cinco culturas antigas das quais você provavelmente nunca ouviu falar

Conheça cinco povos que marcaram sua época com imponência, deixando vestígios materiais até os dias de hoje

Redação Publicado em 12/04/2019, às 09h55

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Reprodução

O termo "civilização" gera muitas discussões na academia, por inserir as culturas humanas em uma linha evolutiva que vai dos menos avançados (sociedades horizontais como os indígenas amazônicos ou os aborígenes australianos, uma das populações mais antigas da Terra) aos mais avançados (grupos hierárquicos como os Egípcios e os Incas, e a nossa própria cultura ocidental).

Mas apesar de terem deixado vestígios mais visíveis de sua cultura, as chamadas "civilizações" não são necessariamente mais evoluídas que outras sociedades.

Sabendo disso, confira abaixo cinco culturas antigas que deixaram grandes vestígios, das quais você provavelmente nunca ouviu falar.

1. Civilização do Vale do Rio Indo (2.500 - 1.700 a.C.)

Mohenjo-Daro / Reprodução

Localizado em uma área que abrange partes do Paquistão, Afeganistão e Índia, se situa o sítio arqueológico de Mohenjo-Daro, onde podemos ter contato com uma das civilizações mais antigas do mundo. Esse sítio é apenas uma das duas cidades proeminentes escavadas pelos arqueólogos, junto da cidade Harappa. Muitas das casas encontradas tinham seus próprios poços e banheiros, além de um sistema de drenagem subterrânea. Também foram encontradas evidências de comunidades agrícolas, e sabe-se que esse povo canalizava a água do rio Indo até os campos.

Ainda não se sabe se o Vale do Indo era uma civilização em si ou se fazia parte de um reino maior -- caso a segunda opção seja verdadeira, teriam sido encontrados artefatos que mostrassem isso, como estátuas de reis ou representações de guerras. Mas, até hoje, nenhum desses objetos foi localizado.

Não há um consenso sobre as causas para o declínio dessa cultura, embora mudanças climáticas, como secas ou inundações do rio, sejam uma causa provável.

2. Império de Axum (100 - 194 a.C.)

Escadarias de Axum / Reprodução

Enquanto uma revolução cristã ocorria na Europa, um poderoso reino emergia no continente africano. Na atual Etiópia, o Império Axum tornou-se um dos maiores mercados do nordeste da África, com grande poder comercial e naval, dominando a costa do Mar Vermelho durante séculos. Os vestígios deste reino datam de 5 a.C., mas seu apogeu se deu por volta de meados do século 4 d.C., quando os Axumitas levaram o reino Kush, seu rival, à ruína.

Influenciando outras superpotências na África, Europa e Ásia, esse império contava com uma multidão de visitantes estrangeiros. Um escritor persa saudou Axum como “uma das quatro maiores potências do mundo”. Ainda assim, pouco se sabe sobre essa impressionante civilização. 

O reino de Axum continuou imponente até o século 11 d.C., época em que o islamismo já havia se expandido pela Península Arábica e conquistado boa parte dos territórios do reino. A população do Império foi forçada ao isolamento político, o que levou seu declínio comercial e cultural.

3. Civilização Vinca (5500 - 3500 a.C.)

Estatueta Vinca / Reprodução

Também conhecida como Civilização do Vale do Rio Danúbio, esse povo tem sido frequentemente associado a extraterrestres - tanto pelo formato de suas estatuetas quanto pelas inovações tecnológicas. Os sítios arqueológicos são localizados ao longo do rio, em locais como Sérvia, Bósnia, Kosovo, Romênia, Bulgária e Macedônia. É considerada uma das culturas mais antigas do território europeu, e sua escritura, cravada em objetos de cerâmica, antecipou em séculos de escrita cuneiforme da Mesopotâmia, mas nunca pôde ser decodificada.

A primeira evidência arqueológica dessa cultura foi encontrada em 1908, em Belgrado, cidade da Sérvia. Cada assentamento abrigava milhares de pessoas, em casas feitas de barro. Não se sabe por que a Civilização da Vinca desapareceu, mas quando isso aconteceu, eles parecem ter levado seu conhecimento e suas inovações com eles, e as estatuetas e coleções de materiais Vinca estão atualmente espalhadas por vários museus do mundo. 

4. Mehrgarh (7000 a.C.)

Estatueta Mehrgarh / Reprodução

A civilização Mehgarh surgiu no Vale do Rio Indo muito antes da primeira cultura de nossa lista. Localizado na planície de Kachi, no Paquistão, esse sítio arqueológico é um dos mais importantes quando se estuda o período Neolítico no Sul da Ásia. Considerado o povoamento mais antigo do rio Indo, estima-se seu desaparecimento por volta de 2.500 a.C.

A descoberta do povoamento de Mehrgarh ocorreu em 1974, por uma equipe de arqueólogos coordenada por Jean-François Jarrige e Catherine Jarrige. Entre 1974 e 2000 foram feitas várias escavações, que chegaram aos 11 metros de profundidade. Até o momento, foram encontrados 50 mil objetos, entre os quais cerâmicas, figuras de barro, azulejos e metais. Acredita-se que o Mehrgarh tenha tido uma população de cerca de 25.000 pessoas.

5. Nínive (6000 - 612 a.C.)

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Nínive, localizada onde hoje é Mosul, no Iraque, foi uma das maiores e mais antigas cidades da antiguidade. A área foi colonizada em 6000 a.C e, em 3000, tornou-se um importante centro religioso para a adoração da deusa Ishtar. O rei Senaqueribe (704–681 a.C.) fez de Nínive a capital do Império Assírio, construindo uma grande muralha de 15 portões ao redor da cidade, bem como parques, aquedutos, canais e um palácio de 80 quartos. Alguns estudiosos acreditam que os famosos Jardins Suspensos da Babilônia estavam realmente localizados em Nínive, e foram encomendados pelo rei. 

A cidade contava com uma biblioteca com mais de 30.000 tabletes de argila inscritos, o que fazia do local um centro para o desenvolvimento das artes, ciências e arquitetura. Entre as obras, está a história de um grande dilúvio que afogou o mundo inteiro, quando um homem construiu um barco para salvar a população. Essa versão da história hebraica foi escrita 1000 anos antes do surgimento da Bíblia. Grande parte do conteúdo da biblioteca de Nínive está agora nos cofres da Biblioteca Britânica.