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Amazonas deve receber hoje cilindros de oxigênio doados pela Venezuela

Estado vive momento crítico sem o insumo suficiente para a demanda hospitalar

Fabio Previdelli Publicado em 18/01/2021, às 09h53

Imagem meramente ilustrativa de um cilindro de oxigênio
Imagem meramente ilustrativa de um cilindro de oxigênio - Divulgação/Samuel Ramos/ Unsplash

De acordo com o Governo do Amazonas, espera-se que hoje, 18, a capital do estado deva receber mais de 100 mil m ³ de oxigênio que foram doados pelo governo da Venezuela. Segundo informações do G1, as carretas que carregavam os cilindros atravessaram a fronteira entre os dois países na tarde do último domingo, 17.  

Estima-se que cada veículo usado para transporte do material carregue cerca de 25 mil metros cúbicos de oxigênio. Em termos de comparação, o consumo diário do Amazonas é de 76 mil m³ do produto, no entanto, a capacidade de entrega das fornecedoras é suficiente para suprir pouco mais de um terço desse valor, o que causa um déficit diário de 48.300 metros cúbicos. 

O estado também recebe, em média, quatro voos diários da Força Aérea Brasileira (FAB). Estima-se que cada aeronave transporte por volta de 5.000 m³ do insumo. Por conta do oxigênio ser um gás muito inflamável, seu transporte deve ser feito em menor quantidade.  

A crise no Amazonas 

Diante da pandemia do novo coronavírus, a situação dos hospitais em Manaus atingiu um nível caótico na última quinta-feira, 14. Conforme revelado por administradores de instituições de saúde e profissionais que cuidam dos pacientes infectados pela Covid-19, o cenário é marcado pelo drama no atendimento.  

Jesem Orellana, que atua como pesquisador da Fiocruz-Amazônia, revela que foram enviados gravações em vídeo e áudio (além de depoimentos por telefone) de pessoas que estão na linha de frente. 

Fora explanado, por exemplo, que o oxigênio havia acabado em hospitais. "Estão relatando efusivamente que o oxigênio acabou em instituições como o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e serviços de pronto atendimento, como o SPA José de Jesus Lins de Albuquerque”, disse o profissional. 

Ele também explica que, segundo informações, uma “ala inteira de pacientes morreu sem ar”. No início da tarde daquele dia, a equipe que atua na assessoria da instituição, em mensagem enviada, informou a morte de três pessoas no Centro de Terapia Intensiva, enquanto um estava na enfermaria. 

"Acabou o oxigênio e os hospitais viraram câmaras de asfixia", afirmou Orellana. "Os pacientes que conseguirem sobreviver, além de tudo, devem ficar com sequelas cerebrais permanentes." 

Também foi informado que o hospital havia recebido oxigênio para conseguir estabilizar o cenário de caos de maneira temporária. Sylvio Puga, atual reitor da Universidade Federal do Amazonas, e responsável pela administração da instituição, disse que pacientes estão sendo levados para Piauí e outros estados. 

Marcellus Campêlo, que atua como Secretário de Saúde do Amazonas, confirmou a crise referente ao abastecimento de oxigênio local. "Tivemos um pico de fornecimento e aumento da demanda acima do esperado. Fomos comunicados ontem [quarta-feira] à noite do colapso do plano logístico em relação a algumas entregas, o que causará a interrupção da programação por algumas horas", explicou.