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Aquecimento global pode liberar micróbios da Era do Gelo, podendo causar nova pandemia, aponta cientista

Dennis Carroll, que estuda doenças infecciosas há 30 anos, disse que devemos ser "extremamente cautelosos ao subestimar as ameaças potenciais" dos germes renascidos

Vanessa Centamori Publicado em 09/05/2020, às 12h23

Imagem ilustrativa do derretimento de geleiras
Imagem ilustrativa do derretimento de geleiras - Divulgação

O cientista Dennis Carroll, que estuda doenças infecciosas há 30 anos, e fez parte do documentário da Netflix Pandemia, contou, em entrevista ao site Metro.co.uk, que micróbios congelados na Era do Gelo representam perigo para a humanidade, podendo ser liberados com o aumento da temperatura no Ártico. 

Segundo o pesquisador, devemos ser "extremamente cautelosos ao subestimar as ameaças potenciais" que os germes renascidos podem representar. Bactérias e vírus que permaneceram congelados por milhares de anos podem fazer voltar doenças perigosas, já erradicadas pela humanidade.

Os riscos que esses micróbios “renascidos” podem representar para a espécie humana são desconhecidos, mas a Covid-19 é um lembrete, segundo o cientista, de que devemos ser cuidadosos. 

Dennis Carroll, cientista que estuda doenças infecciosas / Crédito: Divulgação 

 

Para Caroll, doenças transmitidas pela vida selvagem também deveriam ser vistas como um problema de saúde global após o surto de coronavírus. E, conforme o aquecimento global avança, novos micróbios podem surgir e uma nova pandemia pode começar.

"O mundo se depara com a perspectiva muito real de que micróbios antigos que há muito dormem sob a tundra congelada receberão uma nova vida com as mudanças climáticas e o degelo do norte do Ártico", explicou o especialista. 

Não por acaso, um estudo, publicado em 2014 por pesquisadores franceses e russos, no jornal científico PNAS, já pontou inclusive indicíos da existência de vírus no permafrost do continente. Em 2019, outra pesquisa, divulgada no Scientific Reports, também revelou que o derretimento do gelo do Ártico pode estar associado ao vírus da cinomose do focinho, que afeta no Atlântico ao Pacífico focas e lontras marinhas.