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Assim como fazia Trump, presidente de El Salvador afirma que toma hidroxicloroquina

Embora a eficácia do medicamento não tenha comprovação científica, o estadista afirma que o ingere "por profilaxia"

Vanessa Centamori Publicado em 28/05/2020, às 13h32

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele - Wikimedia Commons

No último domingo, 24, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que terminou um tratamento de duas semanas com hidroxicloroquina, que fez mesmo sem contrair o coronavírus, sob a justificativa de "prevenção" contra a doença. Logo depois, na terça, 26, o líder de El Salvador, Nayib Bukele, disse que também entrou nessa onda polêmica e também toma a medicação. 

"Eu uso como profilaxia. O presidente Trump usa como profilaxia. A maioria dos líderes mundiais usa como profilaxia", afirmou Bukele, durante uma entrevista coletiva com o embaixador dos EUA, Ronald Johnson, para anunciar uma doação de 250 ventiladores vindos dos norte-americanos para o país da América Central.

Vale ressaltar que a hidroxicloroquina ainda não tem comprovação científica e podem haver graves riscos envolvidos em tomar o remédio em casos de coronavírus. A Organização Mundial da Saúde interrompeu o estudo da droga, na última segunda-feira, 25, justamente devido às preocupações de segurança.

A decisão ocorreu em decorrência de uma pesquisa, publicada na renomada revista médica The Lancet. O estudo apontou que pacientes da Covid-19 que fazem o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina têm mais riscos de morte e de arritmia cardíaca. 

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

Apesar de usar o remédio polêmico, Bukele disse que o medicamento não fazia mais parte do protocolo de tratamento de coronavírus de El Salvador, mas que ele permaneceria disponível para "aqueles que desejam usá-lo como profilaxia" ou mediante receita médica.

O presidente do país da América Central assumiu o cargo em junho deste ano. Em março, ele fechou a fronteira de seu país antes mesmo de El Salvador relatar um único caso de coronavírus. Ordenou também que militares prendessem pessoas que violavam as novas medidas, e mandou milhares de cidadãos para os "centros de quarentena" do governo.
 
Mesmo após o Supremo Tribunal decidir que as prisões eram inconstitucionais, Bukele recusou voltar atrás: os soldados permaneceram nas ruas. Além disso, o estadista discutiu recentemente com a Suprema Corte e a Assembleia Nacional sobre quando ocorrerá a reabertura do país. Em El Salvador, segundo o último levantamento da Universidade John Hopkins, há 2.109 casos confirmados de coronavírus e 37 mortes.