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Assintomática, mulher brasileira ficou 5 meses infectada pelo coronavírus

Jovem do Rio de Janeiro teve sintomas leves em março e em poucas semanas pensou estar curada — um teste após mais de 100 dias revelou a verdade

Alana Sousa Publicado em 02/09/2020, às 14h30

Imagem ilustrativa de uma mulher de máscara
Imagem ilustrativa de uma mulher de máscara - Pixabay

Segundo reportagem divulgada ontem, 1, pelo jornal O Globo, uma jovem — não identificada — ficou 152 dias infectada pelo novo coronavírus. Os resultados foram alcançados pelo trabalho de cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A brasileira, que atua no sistema de saúde, apresentou sintomas leves em março, no início da pandemia no Brasil, mas rapidamente foi considerada curada. Entretanto, o vírus permaneceu em seu organismo; este foi o caso mais longo de infecção pela Covid-19 já documentado.

“Essa mulher viveu cinco meses com o coronavírus. O caso dela foi descoberto porque é uma profissional de saúde, mais atenta para o risco de transmissão e desde cedo participou do estudo. Mas suspeitamos que a persistência não é rara. Pode haver muita gente assim, e isso ajuda a explicar por que a circulação do coronavírus continua a se manter”, relatou Luciana Costa, uma das pesquisadoras do estudo. Outros profissionais envolvidos na análise foram Amilcar Tanuri e Teresinha Marta Castineiras, professores do Instituto de Microbiologia, do Instituto de Biologia e da Faculdade de Medicina da UFRJ.

A jovem, que está sendo chamada de Paciente 3, não apresentou sintomas da doença após a terceira semana (ainda em março). A profissional de saúde reside no estado do Rio de Janeiro e, de acordo com os especialistas, pode ter infectado outras pessoas. Ela passou por testes semanais durante os dois primeiros meses, que apontaram a presença no vírus em seu corpo, mas após certo período voltou a procurar ajuda médica para investigar o que estava acontecendo.

A suspeita foi comprovada e ela ainda testava positivo para o novo coronavírus. A hipótese de reinfecção fora descartada, pois, segundo exames sua sequencia genética permaneceu a mesma. O caso deve ajudar os pesquisadores a entenderem mais sobre pacientes assintomáticos.