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Bolsonaro afirma que Trump está mandando ao Brasil 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina

O presidente fez a afirmação hoje, 27, durante conversa com militantes em frente ao Palácio do Planalto

Vanessa Centamori Publicado em 27/05/2020, às 16h30

Imagem ilustrativa de medicação
Imagem ilustrativa de medicação - Unsplash

Segundo informações da CNN do Brasil, nesta quarta-feira, 27, durante uma conversa com militantes em frente ao Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro disse que os Estados Unidos enviarão 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina para o Brasil.

A afirmação ocorreu logo após um encontro de Bolsonaro com um apoiador, que contou ter vindo da Califórnia. "Como está o Trump lá, tá bem?", questionou o presidente. Em seguida, o estadista declarou: "Ele (Trump) está mandando para nós aqui 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina. Deve chegar hoje", disse. 

O medicamento, no entanto, foi suspenso pela Organização Mundial de Saúde na última segunda-feira, 25,  no ensaio clínico internacional Solidariedade (Solidarity). Isso ocorreu em decorrência de um estudo publicado na revista científica The Lancet, na semana passada, que apontou que o uso da cloroquina ou da hidroxicloroquina em pacientes com a Covid-19 aumenta o risco de morte e de arritmia cardíaca. 

SARS-Cov2 visto na microscopia / Crédito: Divulgação 

 

Mais de 800 ensaios clínicos procuram avaliar dezenas de tratamentos em potencial, segundo a The Lancet. Em relação à eficácia contra o SARS-Cov2, não há consenso científico das medicações devido à falta de tempo suficiente e de pesquisas conclusivas de acordo com as regras necessárias. 

A discussão em torno da hidroxicloroquina aumentou quando Trump disse que começou a tomá-la diariamente, como medida preventiva. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro se posiciona a favor de ambos medicamentos. Eles ainda estão em testes, portanto, sem eficácia e segurança 100% comprovadas nos casos do novo coronavírus.

No entanto, na última segunda-feira, 18, o Ministério da Saúde indicou que vai ainda assim manter a orientação para uso precoce do remédio em pacientes com Covid-19. "Estamos muito tranquilos a despeito de qualquer instituição ou entidade internacional que venha a cancelar os seus estudos com a medicação", disse Mayra Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, durante coletiva de imprensa.