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Bolsonaro ironiza vacinação para crianças

Ministério da Saúde anunciou a liberação de vacinação para crianças que têm entre 5 e 11 anos

Fabio Previdelli Publicado em 06/01/2022, às 14h50

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro - Getty Images

Na tarde de ontem, 5, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de vacinação para crianças entre 5 e 11 anos. A equipe do site do Aventuras na História explicou como funcionará a imunização para a nova faixa etária

Porém, a notícia parece não ter agradado a todos, principalmente o presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à Rádio Nordeste, de Pernambuco, o chefe de Estado pediu para que pais e responsáveis não se deixem levar por ‘propagandas’, incitando que a aprovação da vacinação para crianças foi liberada por interesses da Anvisa e de “tarados pela vacina”. 

A própria Anvisa que aprovou também diz lá que a criança pode sentir, logo depois da vacina, falta de ar e palpitações. Eu pergunto: você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho", indagou Bolsonaro.

Pouco depois, o mandatário brasileiro repetiu a pergunta para auxiliares próximos. Como nenhum o rechaçou, ele declarou que sua filha Laura, de 11 anos, não será imunizada. 

"E você vai vacinar teu filho contra algo que o jovem por si só uma vez pegando o vírus, a possibilidade de ele morrer é quase zero? O que que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso aí? Qual interesse daquelas pessoas taradas por vacina? É pela sua vida? É pela saúde? Se fosse, estariam preocupados com outras doenças no Brasil e não estão", continuou. 

"Então peço, como se tratam de crianças, não se deixe levar pela propaganda. Converse com seus vizinhos. Quanto garoto contraiu Covid e nada aconteceu com ele", completou Bolsonaro. 

Apesar da 'incisiva' fala do presidente, suas convicções não condizem com a realidade, pelo menos é isso que aponta dados levantados pelo Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe).

Conforme mostrado pela Folha de São Paulo, o órgão constatou que desde que o primeiro caso de Covid-19 no país até o último dia 6 de dezembro, já foram registradas no país as mortes de 301 crianças entre 5 e 11 anos de idade.